2016, Ciência, Companhia das Letras, Não ficção, Parceria, Resenha

A música do universo

A música do universo: ondas gravitacionais e a maior descoberta científica dos últimos cem anos, de Janna Levin

“Em algum lugar do universo, dois buracos negros colidem – pesados como estrelas, pequenos como cidades, literalmente buracos (espaços vazios) negros (com total ausência de luz). Presos pela gravidade, nos últimos segundos que passam juntos eles se deslocam em milhares de revoluções em torno de seu futuro ponto de contato, revolvendo-se no espaço e no tempo até colidir e se fundir num buraco negro maior, num evento mais poderoso do que qualquer outro desde a origem do universo, produzindo uma energia que é mais de 1 trilhão de vezes a de 1 bilhão de sóis. Buracos negros colidem em escuridão total. Nada de energia que irrompe disso se apresenta em forma de luz. Telescópio algum jamais mostrará o evento.
Essa profusão de energia emana de buracos que se coalescem numa forma puramente gravitacional, como ondas na forma de espaço-tempo, como ondas gravitacionais. Uma astronauta flutuando nas proximidades não enxergaria nada. Mas o espaço que ela estivesse ocupando ressoaria, deformando-a, apertando-a e depois a esticando. Se estivesse perto o bastante, seus sistema auditivo poderia vibrar em resposta. Ela
 ouviria a onda.” (pp. 11-12)

Primeira coisa: não sei nada de Física. Só tive aula de Física no Ensino Médio (e lá se vão mais de 10 anos!), e olhe que mesmo nesse período, não absorvi muita coisa. Portanto, alguns (muitos!) conceitos de Física são absolutamente misteriosos para mim: “buraco negro” é um deles. Acho difícil conceber algo escuro e vazio, mas que ao mesmo tempo é muito pesado e poderoso. Porém, a curiosidade é sempre maior que a ignorância. Em fevereiro de 2016, assisti a notícias de que cientistas haviam finalmente conseguido captar o som das ondas gravitacionais. Quando a Companhia das Letras, editora parceira do canal Redemunhando, me apresentou este lançamento de livro, não resisti e o pedi.

Janna Levin, a autora do livro, é norte-americana e professora de Física e Astronomia na Universidade de Columbia, além de escritora. Ela possui outros livros, incluindo um sobre Alan Turing. No livro A música do universo, a autora nos leva por uma viagem científica, tratando de conceitos de Física, e também dos caminhos percorridos por cientistas do nosso século para comprovar a teoria de Einstein das ondas gravitacionais, formulada há cem anos. Basicamente, o livro nos conta a história da montagem de experimentos para a captação dessas ondas – em especial a concepção e montagem do LIGO, Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser. Tais ondas, pensaram os cientistas, por não liberarem energia luminosa (ou seja, não podem ser vistas), deveriam ser captadas por meio de sons.

Como traduzir sons em palavras? Mais ainda, como comunicar ao leitor a grandiosidade da captura dos sons das ondas gravitacionais e colocá-las em letras impressas? Mas afinal de contas, o que são ondas gravitacionais?

Eu obviamente não sou a melhor pessoa para explicar o conceito. No meu parco entendimento, tratam-se de pequenas deformações no espaço-tempo, em forma de ondas, que se propagam pelo universo a partir de uma colisão entre buracos negros. Mais ou menos como mostra a imagem a seguir:

O fascinante sobre isso é que esse acontecimento não propagaria luz, de maneira que não seria observável por nós nem por telescópios. Entretanto, considerou-se que seria possível desenvolver um dispositivo altamente detalhado e específico (e caro!) que captasse os sons produzidos a partir dessa colisão. [Para saber mais sobre o assunto, separei alguns vídeos de divulgação científica sobre isso disponíveis no Youtube: Nerdologia, Primata falante.]

Albert Einstein previu este fenômeno nos primeiros decênios do século XX, e até o final deste século, havia dúvidas sobre se tal experimento de captação de evidências das ondas gravitacionais seria possível ou viável. O livro de Levin documenta o processo de aprovação e construção do LIGO, dirigido pelos físicos Kip Thorne e Ronald Drever do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e Rainer Weiss da Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). É importante ressaltar que este foi um empreendimento realizado com a colaboração de centenas de cientistas, e não apenas dos três supracitados.

A narrativa mescla dados, os bastidores da montagem do LIGO e de protótipos e experimentos. Tais descrições por diversas vezes são muito detalhadas, de maneira que interessarão mais a leitores especializados que aos leigos e que buscam uma leitura mais panorâmica (como eu). Além disso, a autora também conta sobre a trajetória de físicos envolvidos no empreendimento, relatando parte de suas vidas pessoais e entrevistas com os próprios.

A linguagem da obra é tranquila e informal, apesar de apresentar alguns conceitos físicos mais complicados. E, pelo fato de a autora ser especialista da área de Astronomia, é confiável e precisa nas informações científicas.

Um dos aspectos mais interessantes do livro foi perpassar diversos momentos históricos desde meados do século XX – notadamente no Estados Unidos, espaço onde se encontra o LIGO e se concentra a pesquisa sobre este tema. O nazismo na Europa e a Segunda Guerra Mundial, a criação da bomba atômica, o Projeto Manhattan e a Guerra Fria servem como panos de fundo para o desenvolvimento da pesquisa sobre ondas gravitacionais.

Outro ponto notável é a desproporção entre homens e mulheres no livro, o que obviamente reflete a desproporção entre homens e mulheres na academia, em especial na área de Física. Faz pensar no grande potencial que podemos estar ignorando ou perdendo simplesmente por motivos de preconceito.

Impressiona o alto nível de incerteza do experimento, já que ele depende da colaboração da natureza. Mesmo frente a tantas dúvidas e improbabilidades da detecção das ondas gravitacionais, o projeto foi em frente e cumpriu sua missão. O livro mostra diversos obstáculos científicos que foram enfrentados por esses pesquisadores, o que é um processo natural (embora difícil) na ciência: guerra de egos, experiências que falham, falta de financiamento, resistência nos meios acadêmicos.

É um ótimo livro, mas pode ser detalhado demais para um público leigo e simplesmente curioso pelo assunto. Acredito que um leitor mais especializado desfrutará muito mais da obra.

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+ info:

A música do universo: ondas gravitacionais e a maior descoberta científica dos últimos cem anos / Janna Levin; tradução Paulo Geiger.
São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
257 páginas.

classificação: 3 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

Obrigada pela leitura!

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2016, Ciência, Contexto, História, Não ficção, Resenha

A história da humanidade contada pelos vírus

A história da humanidade contada pelos vírus, bactérias, parasitas e outros microorganismos…, de Stefan Cunha Ujvari

“Microorganismos percorreram a corrente sanguínea dos combatentes. Alastraram-se pelo corpo dos soldados debilitados e comprometeram órgãos vitais. A fome e o frio prejudicaram suas defesas, que não impuseram restrições para o avanço da infecção. Seus corpos foram lançados na vala coletiva e decompostos pelo tempo. Os microorganismos responsáveis pelas epidemias sumiram com os pulmões, fígado, coração, rins e outros tantos órgãos. Uma região, contudo, preservou-se para nos contar a história. Este local, ricamente vascularizado, recebeu afluxo de sangue contendo os microorganismos que se alojaram nessa estrutura. Foram os dentes. A polpa dentária recebe o nervo responsável pela dor de dente, mas também recebe uma quantidade de sangue. Vestígios do DNA do ou dos microorganismos envolvidos nas epidemias estariam nas entranhas dos dentes daqueles esqueletos?.” (p. 50)

Este livro aborda a história humana a partir do protagonismo dos vírus, bactérias e microorganismos causadores de doenças. Aqui já coloco minha primeira crítica: antes de abrir o livro, o leitor pode ficar confuso com o título. A história da humanidade contada pelos vírus pode dar a ideia de que a narrativa só abarcará doenças virais – pelo menos, foi o que pensei inicialmente. Porém, já na folha de rosto, isso fica esclarecido pelo título completo: A história da humanidade contada pelos vírus, bactérias, parasitas e outros microorganismos…. Agora, será que alguém consegue me explicar a escolha de não colocar o título completo na capa do livro?

Partindo da chamada Pré-História no continente africano (parte 1: África: estação de origem), Ujvari procura remontar, por meio de estudos genéticos, a história do nascimento de infecções humanas, tão antigas quanto o próprio nascimento do Homo sapiens. Este surgimento e suas evoluções podem ser rastreados graças a fragmentos genéticos de retrovírus em nosso DNA. Existem doenças que acompanham a história evolucionária dos hominídeos, tais como a herpes, a teníase e a tuberculose.

Em seguida, na parte 2, o autor nos leva por rotas migratórias traçadas a partir de pegadas genéticas deixadas por microorganismos, ou seja, é possível rastrear os caminhos feitos pelos seres humanos para se espalharem pelo mundo a partir da análise da evolução de alguns vírus, bactérias, e microorganismos – como é o caso da gastrite e da úlcera bacterianas, por exemplo, ou dos piolhos, que demarcam a época em que os seres humanos começaram a usar roupas, entre diversos outros exemplos.

Na terceira parte do livro, Chegada à América, apresenta-se como alguns parasitas intestinais podem ajudar a esclarecer ou apontar mais seguramente para uma das teorias sobre como o ser humano povoou o continente americano (se por terra, a partir do estreito de Behring, ou por via marítima). Aqui, também apresenta-se uma polêmica interessante sobre se a sífilis é uma doença trazida pelos europeus na época da colonização ou se era uma doença tipicamente americana. No final, uma discussão sobre eugenia e a utilização de cobaias humanas (na Alemanha nazista e nos Estados Unidos, com negros sifilíticos) enriquece muito o texto.

As partes 4 e 5 tratam do surgimento da agricultura e da domesticação de animais, o que permite um espalhamento muito maior de doenças, uma vez que possibilitam maiores aglomerações humanas, armazenamento de água e comida e, assim, a disseminação não apenas de microorganismos, mas também de vetores de doenças, tais como ratos e mosquitos.

Na parte 6, chamada O ataque continua, o autor trata de tempos mais atuais, principalmente das descobertas de combate e cura de algumas doenças (vacinas, antibióticos, etc.).

Além dessas seis partes, o livro conta com uma pequena apresentação, notas de final com referências bibliográficas e algumas imagens em preto e branco. As páginas são brancas e encontrei um ou outro erro de revisão.

Provavelmente o mais interessante que achei no livro foi ter percebido como guerras, violência, pobreza, urbanização desordenada e não planejada, falta de educação e de saneamento básico, além de serem problemas sociais, acabam por se tornar gigantescos problemas de saúde pública, por facilitarem o alastramento de diversos tipos de doenças. Outro ponto positivo foi a apresentação de métodos de pesquisas feitas em parceria da Biologia (áreas de Genética e Infectologia) e História (notadamente a Arqueologia) para esclarecer diversos episódios e processos históricos, como por exemplo, as “pegadas” de DNA que revelam muito sobre a migração humana.

Confesso que ter uma alta expectativa em relação a este livro prejudicou minha experiência de leitura. Achei que o autor passaria ao longo da História humana (Oriente Próximo Antigo, Grécia e Roma, Idade Média na Europa, Mundo Árabe, China, América, Idade Moderna, Imperialismos, Guerras Mundiais, Globalização, etc.) perpassando grandes epidemias que assolaram as populações. Mas não é este o tom do livro: o autor Ujvari é brasileiro e médico especialista em infectologia. Portanto, traz um olhar mais biológico que histórico para os microorganismos. É quase como se o livro tratasse da História dos vírus, bactérias, parasitas e outros microorganismos contada pela humanidade, e não o contrário. Senti falta de uma história mais aprofundada da peste negra na Europa do século XIV, ou da tuberculose no Egito antigo, ou das epidemias de piolhos durante guerras. Tudo isso é citado, mas tão rapidamente, que não satisfez minha curiosidade.

Achei a “linha condutora” do livro um pouco confusa – talvez a intenção fosse tornar o texto mais dinâmico -, com algumas idas e vindas no tempo. Outro ponto que me incomodou bastante foi o fato de o livro não possuir uma “conclusão”, ou seja, uma síntese ou uma reflexão claramente proposta pelo autor ao final. Isso obviamente não é necessário em qualquer obra, mas penso que seria muito interessante nesta.

Realmente acredito que o maior problema do livro não foi o livro em si, mas sim minha expectativa em relação a ele. Tem alguns (poucos) defeitos que enxerguei, mas no geral, é uma pesquisa rica e uma abordagem interessante. Penso que com alguns pequenos ajustes, ficaria mais a meu gosto. Recomenda-se esta leitura para um público mais adulto, por conta da densidade do texto e das explicações científicas, e para um público que se interessa pelos temas de Genética, Evolução e Arqueologia.

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+ info:

A história da humanidade contada pelos vírus, bactérias, parasitas e outros microorganismos… / Stefan Cunha Ujvari.
São Paulo: Contexto, 2014.
205 páginas.

classificação: 3 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

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2016, Hedra, História, Não ficção, Parceria, Resenha

Descobrindo o Islã no Brasil

Descobrindo o Islã no Brasil, de Karla Lima

 “As derradeiras revelações chegaram à humanidade em um ambiente populoso, barulhento e empoeirado. A Arábia Saudita ainda não se chamava assim e mal passava de uma conjunção de rotas comerciais rodeada de tribos inimigas por todos os lados quando, em Hijaz, no ano 570, nasceu o homem que, atualmente, dá nome a mais meninos do que qualquer outro no mundo. Muhammad e derivações como Mohamed, Ahmad e Mahmud não são campeões de popularidade apenas nos países de maioria muçulmana: ocupam o terceiro lugar na Inglaterra e são os mais comuns em recém-nascidos em Bruxelas e Amsterdã. Maomé, versão brasileira, é ‘errado e inaceitável’, ensina um folheto do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina. O profeta é Muhammad – Muhammad bin Abdullah. A vida não foi fácil para o pequeno Muhammad.” (p. 26)

A autora Karla Lima entrou em contato comigo pelo Instagram do Redemunhando ( @redemunhando ) e perguntou se eu gostaria de recebê-lo para resenhar. Como o tema me interessa muito, e já tinha ouvido falar bem do livro, aceitei a proposta. E não me arrependi.

Lima é jornalista e se propôs a desvendar as culturas islâmicas presentes na cidade de São Paulo e seus arredores. Ela até fez uma experiência de vestir o véu por uma semana e realizar seus afazeres comuns, tais como ir fazer compras, abastecer o carro, trabalhar. O objetivo era sentir na pele como uma muçulmana era tratada na cidade, perceber as reações das pessoas a esse hábito feminino muçulmano, experiência que ela relata rapidamente na introdução do livro.

Além da introdução e de uma bibliografia no final, que inclui livros, filmes e websites, o livro se divide em seis partes: Nascimento, onde a autora trata do surgimento do Islã; Infância, que fala sobre a difusão do Islã e como vivem as crianças que são criadas dentro da religião muçulmana; Adolescência, sobre a difusão do Islã e o estabelecimento de algumas doutrinas, além de mostrar as mudanças na cobrança com relação às regras religiosas por que passam os muçulmanos e as muçulmanas a partir da puberdade; Maioridade, sobre os pilares da religião; Morte, parte interessante que discute a associação comum, porém normalmente equivocada, do Islã com a violência; e Renascimento, um balanço crítico de méritos e falhas dos muçulmanos na visão da autora.

Como se pode ver, o livro mescla a história do Islã e suas regras gerais (doutrinas, hábitos) a histórias individuais. Ou seja, assim como a religião, o livro traz aspectos públicos e privados que são tratados pelo Islã. O que está no Alcorão, e como as pessoas e alguns países interpretam isso. Por exemplo, após explicar o significado do uso obrigatório do véu para mulheres e a necessidade do jejum durante um mês por ano dentro das regras da religião, por meio de entrevistas, temos acesso a diversas visões sobre o Islã: mulheres que usam o véu ou hijab e mulheres que escolhem não usá-lo (e não se sentem menos religiosas por isso); pessoas que realizam o jejum no mês do Ramadã, e pessoas que não o fazem.

As entrevistas revelam muitos pontos de vista diferentes sobre o Islã, justamente porque são feitas com pessoas extremamente diferentes: homens, mulheres, adolescentes; xeiques, seguidores e convertidos (ou “revertidos”) à religião; sunitas e xiitas; brasileiros, sírios, libaneses, egípcios, sauditas, palestinos.

As questões ligadas ao feminino me chamaram muito a atenção: a vestimenta como uma proteção contra a lascívia masculina, afinal de contas, representa submissão ou liberdade? O estudo e a profissão, trabalhar fora de casa, casamento… que tipo de atitudes são consideradas “adequadas” ou “desejáveis” dentro da religião? Para essas questões também existe uma variação de opiniões entre os fiéis. Aspectos ligados à propriedade pertencer a mulheres, à satisfação sexual feminina, ao divórcio, e à utilização de métodos contraceptivos são aceitos e garantidos pela religião, que são pontos que valorizam as mulheres.

Como acompanhamos o processo de pesquisa, a autora apresenta seus pontos de vista o tempo todo, em primeira pessoa, criticando posições, questionando os entrevistados, e de vez em quando, se entrevê uma ponta de ironia. Na última parte do livro, ela tece uma crítica contundente e bastante pessoal sobre a atitude dos muçulmanos frente à unilateralidade midiática (o problema de a mídia só apresentar os muçulmanos como violentos). Para mim, o tom irônico às vezes era bem-vindo, e às vezes soou como um pouco incisivo.

A escrita do livro, bastante acessível, pode parecer um pouco desorganizada para alguns leitores, embora não tenha me incomodado – aliás, achei uma maneira interessante e dinâmica de apresentar o tema. Essa mescla entre público e privado está entremeada pelo relato do processo de pesquisa e montagem do livro: é como se acompanhássemos Karla Lima em suas visitas, impressões, entrevistas, nas estatísticas e processos históricos que ela nos apresenta, e em análises de preceitos e leis islâmicos.

Livro altamente recomendado para quem quer aprender mais sobre o Islã, sobre diversos pontos de vista dentro da religião, ou simplesmente para quem é curioso em relação ao tema.


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 + info:
Descobrindo o Islã no Brasil / Karla Lima.
– São Paulo: Hedra, 2016.
189 páginas.

classificação: 4 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

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2016, Ciência, Não ficção, Parceria, Record, Resenha

Os reis do sol

Os reis do sol: a história do começo da astronomia moderna e da inusitada tragédia de Richard Carrington, de Stuart Clark

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“A maior parte do mundo havia sentido os efeitos elétricos das auroras e, exceto pelo vendaval enfrentado pelo Southern Cross, havia assistido a tudo como uma manifestação silenciosa no céu inteiro, que inspirara espanto e terror em igual medida. Ninguém se recordava de ter visto antes algo naquela escalam nem qualquer livro de história registrava uma ocorrência de tão amplo alcance como aquela. A Terra tivera uma experiência singular. Mas o que fora aquilo?
A resposta estava a meio mundo de distância, onde um abastado cavalheiro vitoriano, cujo maior prazer era entregar-se a sua avassaladora paixão pela astronomia, estava às voltas com seu próprio quebra-cabeça científico. Ele estava no lugar certo, na hora certa, e havia visto algo sem precedente. E agora tentava entender.” (pp. 23-24)

Sou uma grande nerd, esta é a verdade. Cursei História e não me entendo com Matemática, mas sou super curiosa em relação a outras disciplinas, como Biologia e Física (tirando os cálculos, por favor!). Quando vi entre a lista dos livros disponíveis para parceria do Grupo Editorial Record, não resisti e pedi Os reis do sol, uma verdadeira viagem pelos primórdios da Astronomia moderna.

O prólogo nos descreve as erupções solares que ocorreram em 2003 e atingiram a Terra, causando interferência em alguns equipamentos eletrônicos e danificando satélites e espaçonaves – nem preciso falar do enorme prejuízo causado por tudo isso. Houve a ocorrência de auroras em alguns pontos do globo, verdadeiros espetáculos luminosos resultantes da colisão das partículas solares com nossa atmosfera.

 

A partir deste fenômeno tão recente, Clark nos leva para uma viagem pela História da Ciência moderna, retomando nomes importantes para a Astronomia. Além de Richard Carrington, astrônomo britânico e amador, conta também sobre William Herschel, Alexander von Humboldt, Henrich Schwab e outros grandes nomes da ciência, que estudaram planetas e estrelas, campos magnéticos, relações – confesso que a partir de certo momento comecei a ficar meio perdida entre a quantidade de cientistas e seus nomes. Todos eles tiveram que lidar com observação de fenômenos, registro, busca por testemunhas e provas sobre suas hipóteses. Um dos aspectos mais interessantes do livro é esse passeio pelo método científico moderno: o autor descreve inclusive os obstáculos, fracassos e decepções pelas quais passaram esses cientistas – instrumentos deficientes, inveja acadêmica, resistência a mudança de paradigmas, erros.

O autor Stuart Clark é britânico, jornalista, e escreve textos para publicações especializadas em Astronomia: Astronomy nowNew ScientistBBC Focus. É colaborador da Agência Espacial Europeia e tem mais livros publicados (em inglês) sobre assuntos ligados ao tema, como o telescópio Hubble, por exemplo.

De linguagem precisa e ainda assim acessível, o livro Os reis do sol é um ótimo livro de divulgação científica. Clark utiliza de vez em quando transcrições de documentos (textos de cientistas), além de apresentar observações explicativas e relevantes no rodapé sobre alguns assuntos. A bibliografia ao final do livro é vasta e está dividida por capítulo.

Eu obviamente sei que o Sol é importante, mas vocês já pararam para pensar no quanto? E no quão pouco sabemos sobre ele? Pesquisas científicas sobre o Sol são relativamente recentes – datam do século XIX -, e um astrônomo depende dos dados coletados anteriormente a ele para formular novas ideias e hipóteses. Este livro me deu uma nova visão sobre Ciência, saber e, é claro, nosso Astro-Rei. É maravilhoso ver o quanto os conhecimentos que consideramos diferentes disciplinas se interligam, ou seja, não são separados: Física, Matemática, Artes (desenho, fotografia), História, Biologia, Economia, Química. Este é um daqueles livros de não-ficção que acabam sendo mais fantásticos que muita história de ficção científica por aí!

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+ info:

Os reis do sol: a história do começo da astronomia moderna e da inusitada tragédia de Richard Carrington / Stuart Clark; tradução Laura Rumchinsky.
Rio de Janeiro: Record, 2016.
250 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

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2016, Intrínseca, Não ficção, Resenha

Ted Talks

Ted Talks: o guia oficial do TED para falar em público, de Chris Anderson

“Seu objetivo não é ser um Winston Churchill ou um Nelson Mandela. É ser você. Se você é cientista, seja cientista; não tente ser um militante. Se é artista, seja artista; não tente ser um acadêmico. Se é um sujeito comum, não queira simular um impressionante estilo intelectual; seja esse sujeito comum. Você não tem obrigação de fazer uma multidão se pôr de pé com uma oratória notável. Um tom de conversa pode funcionar muito bem. Na verdade, para a maioria das plateias, é bem melhor assim. Se você sabe conversar com um grupo de amigos durante o jantar, também sabe falar em público.” (p. 23)

Quem é que não sente um friozinho na barriga antes de apresentar um trabalho diante de uma plateia, ou falar em público? O livro Ted Talks está aí para te ajudar (e me ajudar, e ajudar a todo mundo que quiser lê-lo) nisso. Falar em público não precisa ser um bicho-de-sete-cabeças, se você lançar mão de algumas técnicas.

Antes de mais nada, para quem não sabe, o TED é começou como um ciclo de palestras nos Estados Unidos, e o nome vem dos assuntos que eram abordados nessas palestras: Tecnologia, Entretenimento, Design. Este é um ciclo de palestras que sempre se destacou por apresentar conferências interessantes – não apenas pelos temas tratados, mas também pela forma como são abordados. Atualmente, o lema da organização é “ideas worth spreading”, ou seja, “ideias que valem a pena serem compartilhadas”, em tradução livre. Os temas se expandiram (vão desde fotografia até agricultura, passando por psiquiatria e negócios – veja a lista dos tópicos aqui, são centenas), mas uma coisa não mudou: essas palestras continuam sendo relativamente curtas (de até 20 minutos), altamente instigantes e inspiradoras. [Para não perder a oportunidade, aproveito para recomendar aqui uma das minhas favoritas: O perigo de uma história única, da escritora Chimamanda Ngozi Adichie.] Afinal, como é possível transformar uma palestra sobre algum tema específico em uma fala estimulante para uma platéia ampla?

O livro TED Talks foi escrito pelo atual presidente do TED, e serve como guia de preparação para uma fala em público: uma aula, uma reunião em que se tenha que apresentar resultados, um seminário na faculdade, um discurso no casamento do seu melhor amigo. Percorrendo um caminho que vai da escolha do tema até a apresentação no palco, o livro traz diversas dicas para falar em público (veja o sumário abaixo).

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As dicas apontam para ter uma linha-mestra para sua fala e uma estrutura para a palestra, entrar em sintonia com seu público, estratégias de narrativa, recursos visuais, roteirização, ensaio, começos e finais impactantes, que roupas usar no dia da apresentação, técnicas para se sentir menos nervoso ou inseguro. Além disso, o livro ainda traz uma introdução interessante que fala sobre “contar histórias” (essa atividade milenar que remete a tempos remotos em que as comunidades humanas se reuniam para ouvir e contar histórias em volta de uma fogueira), agradecimentos, um pouco da história do TED e uma lista das palestras citadas no livro. Isso porque, além das técnicas expostas, Anderson dá, ao longo do texto, exemplos de oradores, e traz experiências reais de palestrantes que já passaram pelo TED. É possível intercalar a leitura com as palestras disponíveis na Internet, a fim de que possamos visualizar exatamente o que o autor quer dizer com aquele exemplo.

Podem parecer dicas óbvias (eu, como professora, já aplicava diversas delas no meu processo de preparação de aula e apresentação, embora intuitivamente), mas é muito bom tê-las todas compiladas e organizadas em um único volume. A linguagem de fácil entendimento (bem objetiva) e o tom informal aproximam o autor do leitor. Fora isso, gostei muito da edição: páginas, fonte, diagramação. Tudo muito confortável – e esse corte vermelho maravilhoso! Recomendado para quem se interessa por falar em público ou quer aprender um pouco dessa habilidade.

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+ info:

TED Talks: o guia oficial do TED para falar em público / Chris Anderson; tradução Donaldson Garschagen e Renata Guerra.
Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016.
239 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

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2016, Ciência, Infantil, Infanto-juvenil, Não ficção, Resenha

Sugadores de sangue

Morcegos, pernilongos, pulgas e outros sugadores de sangue, de Humberto Conzo Jr.

“A saliva dos morcegos-vampiros contém um anestésico que evita que a presa sinta a mordida – um corte rápido com os dentes incisivos. Ela também contém uma substância anticoagulante que impede o estancamento da ferida enquanto o morcego estiver se alimentando, o que pode durar cerca de 20 minutos. Essa substância anticoagulante vem sendo estudada para o desenvolvimento de remédios para o coração, formação de coágulos e derrames nos seres humanos.
[…]
Já na cidade de Coimbra, em Portugal, a Biblioteca Joanina tem uma história nada lendária. […]. Mas o que realmente chama a atenção são as colônias de morcegos nos vãos entre as paredes e as estantes. Durante o dia, eles permanecem lá escondidos, não atrapalhando a rotina dos visitantes. No final do expediente, os móveis são cobertos por mantas de couro, e a biblioteca passa a ser território dos morcegos, que se encarregam de manter o local livre de traças, baratas e outros insetos muito comuns e danosos em bibliotecas, evitando assim a utilização de inseticidas.” (p. 10 e 15)

Conheci o autor Humberto Conzo Jr. pelo seu excelente canal no Youtube, o Primeira Prateleira. Lá, ele fala sobre diversos tipos de livros, inclusive infantis. Além de escritor de livros para crianças, Humberto ainda é formado em Biologia e História, e isso se reflete no livro Sugadores de sangue.

O livro trata de animais que se alimentam de sangue, sejam eles morcegos, pulgas, piolhos, sanguessugas, moscas ou mosquitos. Intercalando informações sobre as diferentes espécies, seus hábitos e habitats, características e curiosidades, quando possível, Humberto ainda nos fala sobre mitos e lendas envolvendo aquelas criaturas, além de contextualizar historicamente determinadas situações. Essas foram, é claro, as partes de que mais gostei: ao falar de morcegos, já pensamos imediatamente em vampiros e no conde Drácula. Além disso, conhecemos a lenda indígena amazônica do surgimento do guaraná, a situação inusitada da biblioteca joanina, além da menção a lendas do rock (Ozzy Osbourne) e personagens pop (Batman). No caso das pulgas, ficamos sabendo que a peste, ocorrida na Idade Média, tem nas pulgas seus principais “meios de transporte”, e que no século XIX, se costumava fazer “mercados de pulgas”. E assim por diante…

Doenças transmitidas por esses bichos sugadores de sangue tem um destaque especial no livro, já que o autor trabalha com controle de pragas. Além dos sintomas, as formas de prevenção são descritas (malária, febre amarela, bicho-de-pé, dengue, doença de Chagas, etc.). Ah, o caso das sanguessugas que foram – e ainda são – utilizadas como tratamento médico também é bastante interessante (o ponto negativo é que algumas pessoas podem se sentir hipocondríacas, procurando os sintomas descritos. Eu mesma, na parte dos piolhos, não parava de coçar a cabeça!).

De linguagem clara e direta, o livro traz informações relevantes e precisas; não subestima a inteligência das crianças, pois usa vocabulário variado e termos tecnicamente corretos. É temático e interdisciplinar, e traz um bom humor em momentos escolhidos.

As xilogravuras de Eduardo Ver complementam bem o texto, e a edição da WMF Martins Fontes está impecável.

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Recomendo demais (Dia das Crianças tá aí!); só atentem para a idade da criança. Por ser um livro com muita escrita e informações científicas, deve ser mais adequado a crianças mais velhas, de 7 ou 8 anos em diante. O livro serve para crianças grandes também, assim como eu!


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+ info:

Morcegos, pernilongos, pulgas e outros sugadores de sangue / Humberto Conzo Jr.; gravuras Eduardo Ver.
São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2014.
48 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

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2016, Cultura em letras, História, Não ficção, Parceria, Resenha

A era dos mortos-vivos

A era dos mortos-vivos: zumbis, mito, modernidade, de Eliel Barberino

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“Alteridade é o conceito que melhor define a análise que faremos dos mortos-vivos. Ao buscar entendê-los, na verdade estaremos numa busca de nós mesmos. Ao fazermos um exame dos temas que os zumbis nos apresentam, creio que você perceberá que os zumbis somos nós, eu e você. Que o medo que temos dessas criaturas é um medo sublimado de nós mesmos e dessa civilização que criamos. Que o levante dos mortos-vivos contra toda a ordem social é apenas a sublimação inconsciente de nossa revolta contra um mundo que perdeu a graça.” (p. 10)

O autor Eliel Barberino entrou em contato comigo pela página do Redemunhando no Facebook. No princípio, fiquei um pouco receosa por ser um livro de zumbis (sou covarde para temas de terror), mas quando vi que tratava-se de uma história dos zumbis, ou seja, da origem desses personagens, definitivamente fiquei interessada.

Barberino é um entusiasta dos zumbis e estudou Filosofia. Resolveu unir as duas atividades neste livro de não-ficção, que está dividido em introdução, duas partes teóricas, epílogo, agradecimentos e bibliografia. As partes I e II do livro são bastante diferentes: a primeira, chamada O surgimento do fenômeno, trata das origens do zumbi como monstro; e a segunda, O zumbi como crítica da modernidade, analisa alguns aspectos da contemporaneidade para conectá-las com a mitologia dos mortos-vivos.

A parte I pende mais para uma análise histórica, e contextualiza toda a epidemia – com o perdão do trocadilho – de popularidade dos zumbis: jogos, filmes, séries, livros. Esta parte é deliciosa de ler. Certamente um dos momentos que mais gostei foi o exame sobre os monstros “típicos” de cada tempo (bruxas, vampiros, Frankenstein, etc.), pois cada um deles reflete os medos mais intrínsecos com os quais cada uma das comunidades lida naquele momento. O zumbi representa o nosso medo da morte, mas também da decadência e da impotência. Por ser um monstro secularizado (corporificado, e não sobrenatural), possui um grande apelo à realidade atual.

Quanto às origens das lendas de mortos-vivos, Barberino as busca na cultura pop, na história europeia, haitiana e também nas obras do cineasta George Romero, que criou o zumbi (e também o apocalipse zumbi!) da maneira como conhecemos hoje. Preciso ressaltar que achei geniais as relações da crença vodu no morto-vivo com a escravidão colonial nas Américas.

Na segunda parte, mais filosófica, o texto muda de tom. Aí, o autor propõe reflexões sobre as representações e simbologias que o zumbi evoca, além de uma forte crítica à modernidade. Apesar de muito interessante, fiquei com a impressão de uma pessoalidade muito grande na argumentação: o autor critica diversas posições filosóficas das quais discorda (por exemplo, posturas materialistas/empiristas/naturalistas “radicais”, relativismos) e, com isso, acaba emitindo julgamentos de valor, pessoais, sobre alguns aspectos da modernidade. Parece que tais posições se tornam o objetivo principal dos capítulos, e os zumbis aparecem só pontualmente. E por se tratar de argumentações filosóficas, o texto fica bem mais teórico, o que pode não agradar a alguns leitores, embora não tenha me incomodado.

De qualquer maneira, foi uma leitura extremamente agradável, e fiquei muito empolgada ao ler a primeira parte – inclusive, me deu algumas ideias para a sala de aula. Encontrei um ou outro erro de revisão, mas o livro é curto (tem 116 páginas) e direto, com uma escrita prazerosa. A fonte é de tamanho relativamente grande, o que facilita ainda mais a fluidez da leitura.

A análise dos zumbis e de toda a sua cosmologia como fenômeno cultural e desses personagens como metáforas do século XXI enriquece demais a percepção que temos sobre a realidade e a “moda” dos zumbis em todas as mídias. Além disso, ao propor um exercício de identidade e alteridade, Barberino nos provoca a pensarmos também sobre nós mesmos, a morte e nossos medos. Recomendadíssimo para quem se interessa pelo tema!

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+ info:

A era dos mortos vivos / Eliel Barberino.
Rio de Janeiro: Cultura em Letras Edições, 2016.
116 páginas.

classificação: 4 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

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