2016, Aleph, Ficção, Ficção científica, Resenha

Neuromancer

Neuromancer, de William Gibson

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“O céu sobre o porto tinha cor de televisão num canal fora do ar.
Não é que eu esteja usando – Case ouviu alguém dizer ao abrir caminho na multidão aglomerada na porta do Chat. – Meu corpo é que desenvolveu uma deficiência maciça de drogas. – Era uma voz do Sprawl e uma piada do Sprawl. O Chatsubo era um bar de expatriados profissionais; você podia beber ali todos os dias durante uma semana e nunca ouvir duas palavras em japonês.
Quem estava cuidando do bar era o Ratz, que enchia uma bandeja de copos com cerveja Kirin draft, com uma prótese de braço que se movia aos trancos. Ele viu Case e deu um sorriso; seus dentes eram uma teia composta de aço do leste europeu e decomposição marrom. Case achou um lugar no bar, entre o bronzeado improvável de uma das putas do Lonny Zone e o uniforme naval perfeitamente engomado de um africano alto com as faces vincadas com fileiras precisas de cicatrizes tribais.
– Wage esteve aqui mais cedo, com dois ajudantes – disse Ratz, servindo-lhe uma cerveja com a mão boa. – Será que é algum negócio com você, Case?
Case deu de ombros. A garota à sua direita deu uma risadinha e um cutucão.
O sorriso do bartender ficou ainda maior. Sua feiúra era legendária. Numa época em que ser bonito saía barato, havia alguma coisa de heráldica na ausência de beleza que exibia. O braço antigo gemeu quando ele o estendeu para pegar outra caneca. Era uma prótese militar russa, um manipulador com force-feedback de sete funções, revestido com plástico rosa encardido.” (p. 31)

Neuromancer é um romance de ficção científica originalmente lançado em 1984 nos Estados Unidos. Ganhou três dos mais importantes prêmios de ficção científica:  Nebula, Hugo e Philip K. Dick. Este foi o primeiro romance do autor William Gibson e é o primeiro da trilogia Sprawl.

Este livro insere-se num sub-gênero da ficção científica chamado cyberpunk, cuja premissa é high tech, low life, ou seja, “alta tecnologia, baixo nível de vida”. Trata-se de um futuro comandado por altíssima tecnologia, mas que enfrenta grandes problemas socioeconômicos.

De acordo com Lawrence Person, “os personagens do cyberpunk clássico são seres marginalizados, distanciados, solitários, que vivem à margem da sociedade, geralmente em futuros distópicos onde a vida diária é impactada pela rápida mudança tecnológica, uma atmosfera de informação computadorizada ambígua e a modificação invasiva do corpo humano” (fonte: Wikipedia). Case, o protagonista, definitivamente se encaixa nesta definição. Ele é um ex-hacker que foi destituído de sua função e marginalizado (desculpem, precisei repetir a palavra, pois ela é muito precisa neste caso) do ciberespaço. Até que recebe um “chamado” para realizar uma missão perigosa e, de certa forma, vingar-se.

Neuromancer é importante por ter trazido grandes inovações: seja na inserção de elementos antes pouco tratados na literatura (próteses biônicas e inteligência artificial), seja na criação de conceitos. O que me atraiu para ler este livro foi uma pesquisa acadêmica. Ao me deparar com o conceito de ciberespaço, a referência à obra de Gibson foi quase inevitável. Ele criou este universo onde as pessoas estão mergulhadas num mar de tecnologia e hiperconectividade, antes da popularização da Internet. Hoje, o ciberespaço é utilizado para descrever em parte a nossa própria sociedade, cheia de redes wi-fi.

A capacidade de descrição de Gibson é fora do comum, e ele estabelece com maestria o ambiente que quer criar. Se não pela história, o livro vale a pena pela criação intensa e precisa de um universo – que na verdade é a própria Terra num futuro próximo, diferente de outros autores de ficção científica como Asimov e Bradbury, que focam muitas de suas obras em um futuro mais distante e em outros planetas. Gibson também constrói uma trama toda cheia de colagens, com referências a expressões e gírias utilizadas por diversos grupos e áreas do conhecimento que, de tão específicas, podem nos escapar.

Como bem colocou Tati Dantas, do blog No país das entrelinhas, o livro é mais megalomaníaco do que complicado – o que não significa que não seja complicado. Existem termos muito específicos o que torna a leitura confusa. O livro é, sim, ambicioso. Confesso que me perdi na história em diversos momentos (é mais fácil contar as partes que eu entendi do que as que eu não entendi), e fiquei irritada com isso, mas fiz questão de terminar o livro.

A intersecção com obras de distopia clássicas, notadamente Admirável mundo novo de Aldous Huxley, é visível. Não só pela questão do domínio pela tecnologia, mas também pelas drogas como meio de controle mental. O filme Matrix recebe influências diretas deste livro, tanto por sua concepção quanto por seu protagonista, é possível lembrar do filme em diversos pontos.

Na edição especial de 30 anos da editora Aleph, além de um trabalho gráfico preciso e que complementa o conteúdo do livro, existem ainda uma introdução escrita pelo próprio autor especialmente para a edição brasileira; três contos publicados antes de Neuromancer, mas que já antecipam muito das tendências e do estilo do autor (Johnny MnemônicoQueimando cromoHotel New Rose); e uma entrevista muito esclarecedora de William Gibson. Pela entrevista, podemos entrever muitas das intenções, inspirações, referências utilizadas pelo autor em sua obra.

É um livro que desafia o leitor. É possível entender as linhas gerais da história e captar intensamente a atmosfera criada pelo autor, mas não cada detalhe (pelo menos, eu não consegui). Valeu a pena pela experiência, mas dificilmente será um livro que relerei.

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+ info:
Neuromancer / William Gibson; tradução de Fábio Fernandes
São Paulo: Aleph, 2014.
416 páginas.

classificação: 3 estrelas
grau de dificuldade de leitura: DIFICIL

Obrigada pela leitura!
Ficarei muito feliz se você deixar um comentário!
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2016, Ciência, Infantil, Infanto-juvenil, Não ficção, Resenha

Sugadores de sangue

Morcegos, pernilongos, pulgas e outros sugadores de sangue, de Humberto Conzo Jr.

“A saliva dos morcegos-vampiros contém um anestésico que evita que a presa sinta a mordida – um corte rápido com os dentes incisivos. Ela também contém uma substância anticoagulante que impede o estancamento da ferida enquanto o morcego estiver se alimentando, o que pode durar cerca de 20 minutos. Essa substância anticoagulante vem sendo estudada para o desenvolvimento de remédios para o coração, formação de coágulos e derrames nos seres humanos.
[…]
Já na cidade de Coimbra, em Portugal, a Biblioteca Joanina tem uma história nada lendária. […]. Mas o que realmente chama a atenção são as colônias de morcegos nos vãos entre as paredes e as estantes. Durante o dia, eles permanecem lá escondidos, não atrapalhando a rotina dos visitantes. No final do expediente, os móveis são cobertos por mantas de couro, e a biblioteca passa a ser território dos morcegos, que se encarregam de manter o local livre de traças, baratas e outros insetos muito comuns e danosos em bibliotecas, evitando assim a utilização de inseticidas.” (p. 10 e 15)

Conheci o autor Humberto Conzo Jr. pelo seu excelente canal no Youtube, o Primeira Prateleira. Lá, ele fala sobre diversos tipos de livros, inclusive infantis. Além de escritor de livros para crianças, Humberto ainda é formado em Biologia e História, e isso se reflete no livro Sugadores de sangue.

O livro trata de animais que se alimentam de sangue, sejam eles morcegos, pulgas, piolhos, sanguessugas, moscas ou mosquitos. Intercalando informações sobre as diferentes espécies, seus hábitos e habitats, características e curiosidades, quando possível, Humberto ainda nos fala sobre mitos e lendas envolvendo aquelas criaturas, além de contextualizar historicamente determinadas situações. Essas foram, é claro, as partes de que mais gostei: ao falar de morcegos, já pensamos imediatamente em vampiros e no conde Drácula. Além disso, conhecemos a lenda indígena amazônica do surgimento do guaraná, a situação inusitada da biblioteca joanina, além da menção a lendas do rock (Ozzy Osbourne) e personagens pop (Batman). No caso das pulgas, ficamos sabendo que a peste, ocorrida na Idade Média, tem nas pulgas seus principais “meios de transporte”, e que no século XIX, se costumava fazer “mercados de pulgas”. E assim por diante…

Doenças transmitidas por esses bichos sugadores de sangue tem um destaque especial no livro, já que o autor trabalha com controle de pragas. Além dos sintomas, as formas de prevenção são descritas (malária, febre amarela, bicho-de-pé, dengue, doença de Chagas, etc.). Ah, o caso das sanguessugas que foram – e ainda são – utilizadas como tratamento médico também é bastante interessante (o ponto negativo é que algumas pessoas podem se sentir hipocondríacas, procurando os sintomas descritos. Eu mesma, na parte dos piolhos, não parava de coçar a cabeça!).

De linguagem clara e direta, o livro traz informações relevantes e precisas; não subestima a inteligência das crianças, pois usa vocabulário variado e termos tecnicamente corretos. É temático e interdisciplinar, e traz um bom humor em momentos escolhidos.

As xilogravuras de Eduardo Ver complementam bem o texto, e a edição da WMF Martins Fontes está impecável.

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Recomendo demais (Dia das Crianças tá aí!); só atentem para a idade da criança. Por ser um livro com muita escrita e informações científicas, deve ser mais adequado a crianças mais velhas, de 7 ou 8 anos em diante. O livro serve para crianças grandes também, assim como eu!


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+ info:

Morcegos, pernilongos, pulgas e outros sugadores de sangue / Humberto Conzo Jr.; gravuras Eduardo Ver.
São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2014.
48 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

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2016, Ficção, Galera Júnior, Grande Desafio do Culto Booktuber 2016, Parceria, Resenha

George

George, de Alex Gino

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“George pegou uma edição de abril que já tinha visto incontáveis vezes. Folheou pelas páginas com um flip-flip-flip seco que fez o papel soltar um leve aroma.
Ela parou em uma foto de quatro garotas na praia. Elas estavam em fila, vestidas com roupas de banho, cada uma fazendo uma pose. Um guia na lateral direita da página recomendava os vários estilos baseados no tipo de corpo. Aos olhos de George, todos os corpos pareciam iguais. Eram corpos de garotas.
Na página seguinte, duas meninas estavam sentadas em uma toalha, rindo, com os braços nos ombros uma da outra. Uma estava usando um biquíni listrado; a outra, um maiô de bolinhas, cavado nos quadris.
Se George estivesse lá, ela se encaixaria na cena, rindo e juntando os braços com os delas. Usaria um biquíni rosa-choque e teria cabelo comprido, no qual as novas amigas adorariam fazer tranças. Elas perguntariam o nome dela, e ela diria: 
meu nome é Melissa. Melissa era como ela se chamava no espelho, quando ninguém estava olhando e ela podia pentear o cabelo castanho liso para a frente, como se tivesse uma franja.” (pp. 8-9)

George é um livro infanto-juvenil que tem uma protagonista diferente das comuns: ela é uma menina que tem corpo de menino. Vivendo sua pré-adolescência sem ter consciência exata do que se passa com seu corpo e seus sentimentos – como qualquer adolescente -, ela ainda tem que lidar com a esmagadora sensação de não se encaixar no padrão esperado, de não se adequar às expectativas da sociedade à sua volta (inclusive de família e amigos, que não sabem pelo que ela está passando). Certo dia, a turma deve encenar uma peça na escola. George resolve tentar interpretar um papel considerado feminino, o da aranha Charlotte.

O livro é claramente direcionado ao público juvenil, o que é perceptível pela sua linguagem mais simples e direta, e pela maneira como a narrativa é contada. É interessante ver como Alex Gino trata George desde o início pelo pronome “ela”, o que já direciona a leitura para tornar mais clara a maneira como a personagem se enxerga. É um belo exercício de empatia proposto ao leitor. (Aliás, a título de curiosidade, @ autor@ gosta de ser chamad@ pelo pronome “they”, em inglês, que não indica gênero. Inclusive, em seu website, pede para que não se utilize pronome masculino ou feminino para se referir a el@. Peço desculpas pelos @, mas foi a única maneira que encontrei – em português – de respeitar o pedido.)

O que mais chama atenção no livro é, de fato, a protagonista, muito delicada em suas percepções. Mas os personagens que mais me cativaram foram Kelly, a melhor amiga de George, e Scott, irmão mais velho da protagonista. Eles ajudam o leitor a compreender a importância da família e dos amigos em momentos de crise, como eles podem funcionar como uma espécie de âncora emocional, um apoio mesmo, sem o qual a pessoa se desestabilizaria.

Gostaria de ressaltar apenas um ponto que achei exagerado ao longo da narrativa. Me pareceu que alguns estereótipos de gênero – notadamente o feminino – foram reforçados. Como se todas as coisas de que George gostasse fossem consideradas necessariamente femininas: jogo de amarelinha e pular corda, a ideia de que meninas quando querem se arrumar usam saias, etc. Sei que não é a tônica do livro – e provavelmente, nem a intenção de Gino -, mas achei que valia a pena mencionar este aspecto.

É uma obra que traz os temas de gênero, relações pessoais (amizades, familiares), conflitos internos e questões identitárias. Da forma mais suave possível, a questão dos transgêneros é tratada como deve ser: algo normal e digno de respeito. Certamente é uma história que revela o quanto a diversidade humana pode ser rica para a convivência de todos. Recomendado para todos, mas acho que um público pré-adolescente vá gostar mais.

Pedi o livro para o Grupo Editorial Record de parceria, já que precisava ler um livro com temática LGBT para O Grande Desafio do Culto Booktuber deste mês.

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+ info:

George / Alex Gino; tradução Regiane Winarski.
Rio de Janeiro: Galera Júnior, 2016.
142 páginas.

classificação: 4 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

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2016, Ficção, Rádio Londres, Resenha

Butcher’s Crossing

Butcher’s Crossing, de John Williams

Butchers Crossing

“Contemplando a terra plana e vazia junto com a qual ele parecia fluir e com a qual parecia fundir-se, mesmo ficando imóvel em pé, ele se deu conta de que a caçada para a qual contratara Miller era apenas um estratagema, um truque para enganar a si mesmo, uma forma de enfraquecer seus hábitos mais arraigados. Não fora nenhum negócio que o atraíra até ali, ou até o lugar aonde estava prestes a ir; viera por livre e espontânea vontade. Ele estava livre sobre a planície, no horizonte ocidental, que parecia estender-se sem interrupção até o sol poente, e não podia acreditar que ali existiam cidades e vilas grandes o bastante para distraí-lo de seu objetivo. Sentia que, a essa altura, onde quer que morasse, tanto agora quanto no futuro, se afastaria cada vez mais da cidade para se retrair na natureza selvagem.” (p. 59)

Butcher’s Crossing foi uma leitura que se entranhou na minha lista de leituras. Chegou de repente, sem aviso. Já tinha ouvido falar de John Williams (principalmente do romance Stoner), mas não tinha a intenção de lê-lo – pelo menos não por agora. Mas Butcher´s Crossing foi o livro escolhido para a discussão dO Espanador do mês de agosto, e resolvi encarar. Fui sem saber praticamente nada sobre o livro.

O livro se passa nos Estados Unidos no século XIX. O protagonista, Will Andrews, é um homem de 23 anos que larga sua graduação em Direito em Harvard, sua família e sua vida confortável, para ir em busca de sabe-se lá o quê. Aventura, natureza, significado. Chega a Butcher’s Crossing, um vilarejo no Kansas. Cenas de “velho oeste” norte-americano: na cidadezinha só existe um hotel para os forasteiros, um saloon, uma barbearia, e muita poeira. Este povoado sobrevive principalmente graças ao comércio de peles de búfalo, e Andrews decide arriscar-se numa caçada perigosa. Ele contrata outros três homens: Miller, que será o chefe da empreitada por sua larga experiência em caçadas de búfalos; Charley Hoge, que será o principal responsável por conduzir a carroça com os bois e por cuidar da parte “doméstica” (mantimentos, abrigo, etc.); e Schneider, especialista em esfolamento dos búfalos.

Cada um dos quatro tem um motivo diferente para ir à caçada: Miller quer realizar o sonho de conduzir uma grande caçada; Hoge vai por amizade e lealdade; Schneider, por dinheiro; e Andrews busca entendimento e sua própria identidade. O ideal de Will Andrews empresta ao texto um ar mais existencial no meio de tantas descrições de coisas externas, o que dá um belo equilíbrio ao texto.

A caçada se realiza em uma verdadeira marcha para o Oeste: os quatro vão até as inóspitas montanhas Rochosas do Colorado em busca das enormes manadas de búfalos ainda intocadas. O grupo passa por agruras que são verdadeiros testes de sobrevivência e de humanidade: calor, sede, frio, cansaço extremo, isolamento. Em determinados momentos, sentimos que os personagens quase se fundem ao ambiente, começam a fazer parte intrínseca dele – especialmente Miller. Chegamos ao ponto de enxergar a animalização do grupo de seres humanos.

A narrativa tem um ritmo perfeito para o período em que se passa, o que é uma das características que mais admiro num livro. Ou seja, as coisas não se sucedem rapidamente, ou com pressa. Isso não significa que a história fica chata; no meu caso, foi importante poder saborear cada momento. Foi um livro que li aos pouquinhos; toda noite, degustava um capítulo ou menos, e isso me deu muito prazer.

Apesar de possuir um estilo mais direto e objetivo, como costuma acontecer com literaturas de língua inglesa, Williams é descritivo – principalmente com relação a ambientes. Tal habilidade, juntamente com os diálogos entre personagens, me fizeram sentir assistindo a um filme do estilo western. É impossível não imaginar as cenas descritas com muita precisão, dá para dizer que a escrita do autor é cinematográfica.

No final, o livro dá uma guinada no ritmo e no destino das coisas – li as últimas 70 páginas de uma tacada só. Ainda não decidi se gostei muito dessa mudança; mas o que é certo é que o livro é altamente recomendável, e uma experiência de leitura sensacional!

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+ info:

Butcher´s Crossing / John Williams; tradução de Alexandre Barbosa de Souza.
Rio de Janeiro: Rádio Londres, 2016.
332 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

Obrigada pela leitura!

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