2016, Fantasia, Independente, Infanto-juvenil, Parceria, Resenha

Lobo de rua

Lobo de rua, de Jana P. Bianchi

“E, desde o princípio, havia a dor. De intensidade sempre crescente, ela já embaçava quase todos os seus sentidos e faculdades – porém não era suficiente para fazer desvanecer aquela sensação de ter cada molécula de líquido de seu corpo marulhando dentro de si, avançando e retrocedendo dentro das veias como as marés.
Daquele jeito, logo seu corpo iria se romper. A coisa dentro dele estaria livre mais uma vez, e, com ela, voltaria o terror. Já se sentira daquele jeito no mês anterior, e nem mesmo a dor era capaz de fazê-lo esquecer do que acontecera em seguida.
” (p. 13)

Conheci Jana por intermédio de um grande amigo da escola, Pedro Menchik. Ambos frequentaram o mesmo curso na Unicamp, o de Engenharia de Alimentos. Nos adicionamos no Facebook e, aos poucos, surgiu uma grande empatia entre Jana e eu: por alguns gostos em comum (como a leitura e a escrita), por posições políticas parecidas, etc. Certo dia, Jana me deu um presente lindo: me enviou seu livro Lobo de rua. Junto com ele, chegaram marcadores combinando com o livro ( ❤ ) e uma dedicatória que é puro carinho!

Já no primeiro capítulo, conhecemos Raul, um garoto de rua que está sofrendo uma dor excruciante. Esta noite, seu corpo está passando por modificações, da mesma maneira que no mês passado – e não são apenas as modificações da puberdade. Logo, com a ajuda de Tito, um homem mais velho que o leva para um abrigo, descobre que é um lobisomem. Tito vai guiar o garoto Raul por sua transformação e tentar ajudá-lo nos momentos de dor e insegurança, inclusive garantindo que ele não ataque ninguém. Faz isso conduzindo o garoto a um lugar seguro e escondido na metrópole paulistana: a Galeria Creta, local misteriosamente comandado pelo Minotauro, e que se estende pelos subterrâneos da cidade.

O livro de Jana é curto (tem cerca de 110 páginas, contando alguns conteúdos extras) e ótimo. Para quem gosta de fantasia urbana, é um prato cheio. Estava um pouco intrigada por ver que a história era tão curtinha (a maneira como a história é contada é deliciosa, não dá vontade que acabe), mas o final é redondinho e deixa gancho para uma próxima história. Talvez a melhor definição para o livro que encontrei tenha sido na resenha de Thiago d´Evecque no Skoob: trata-se de um prólogo a ser degustado, uma introdução ao universo fantástico da Galeria Creta.

Os pontos altos do livro são, para mim, as boas explicações dadas pela autora para a licantropia (o porquê de só ser transmitida a alguns homens, como eles se escondem, como ocorrem as transformações em noite de lua cheia, etc.), o fato de se passar em São Paulo, e de o protagonista ser um garoto de rua. Acho que são elementos complexos e que foram muito bem executados! O final só eleva a história toda, o que garantiu ao livro a quinta estrela na minha avaliação.

A linguagem é clara e muito tranquila, fluida; e os diálogos têm alguns palavrões bem localizados (são colocados exatamente nos momentos certos!). É recomendado a qualquer tipo de público, inclusive “pré-adolescente”, já que traz fantasia e uma boa dose de realidade (pobreza, invisibilidade, empatia) que não faz mal a ninguém. O menino Raul – aliás, seu nome me dá vontade de ler como um uivo: “Rauuuuuuuuuuuuul” – é um personagem nada simples: enfrenta mazelas da vida desde que se conhece por gente e possui grandes defeitos e grandes qualidades. Em tempo, já que falei do nome de Raul, ele tem um significado especial, foi escolhido a dedo pela autora; assim como o nome de Tito Agnelli, seu mentor. Até esse cuidado é digno de menção.

Jana tem um carimbo da Galeria Creta, com o qual ela marca o livro e o envelope na hora de mandar. Detalhes que fazem toda diferença! A edição é independente, ou seja, foi bancada pela própria autora. Justamente por isso, é visível que Jana fez o livro exatamente da maneira como queria: as páginas são amareladas e o papel, de ótima qualidade; o livro tem ilustrações e um projeto gráfico bem-feito, inclusive com orelhas na capa e na contracapa. Vale muito a pena adquirir para ler e dar de presente!

(Para quem já gosta da Galeria Creta: Jana está escrevendo outro livro! Não se trata de uma continuação propriamente dita, mas de uma história que se passa no mesmo universo, e inclusive protagonizada por um personagem que aparece em Lobo de rua! Aguardamos ansiosos!)

Clique aqui para acessar a página da Galeria Creta no Facebook e encomendar o livro.

+ info:

Lobo de rua / Jana P. Bianchi; ilustrações de Renato Quirino.
Paulínia: Edição da autora, 2015.
112 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

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2 comentários sobre “Lobo de rua

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