2016, Ficção, Multifoco, Parceria, Resenha, Séries e trilogias

Exilado

Exilado (volumes 1 e 2), de Carlos Adriano Estevez

 

“É isso, agora eu me lembro. Não foi quando eu recebi aquele e-mail em russo que a insônia apareceu e as coisas pararam de fazer sentido. Nem quando ela desapareceu. A insônia surgiu antes, quando um cara moreno, vestido de calça sarja caqui, camiseta marrom de manga comprida e com um colete que mais parecia um trapo jogado sobre os ombros, surgiu pela manhã como um Testemunha de Jeová fugido da Ilha de Lost e me deu o Livro Sem Nome que, segundo ele, precisava de um final melhor do que o que havia sido escrito.” (pp. 29-30, v. 1)

O autor de Exilado, Carlos Adriano Estevez, contatou o Redemunhando pelo Facebook e perguntou se eu me interessaria em ler os dois volumes da obra. Fiquei muito curiosa pela sinopse (bem maluca, preparem-se!) e aceitei. Os dois livros me foram enviados e contêm dedicatórias muito cuidadosas feitas pelo Carlos.

No volume 1 desta duologia, o livro divide-se basicamente em dois focos narrativos: temos a história de Emiliano Ruas e Ruas (sim, inspirado no próprio Lucas Silva e Silva do programa Mundo da Lua da TV Cultura!), um cara comum, com um trabalho entediante num banco, e que enfrenta trânsito todos os dias; e paralelamente, corre a história dos garotos Yuri e Igor, gêmeos ucranianos que se veem inserido num mundo quase fantástico de envolvimento com mafiosos e mistérios em 1998, e que só serão compreendidos ao longo da narrativa. Lá para o meio do primeiro volume, um terceiro fio narrativo se desenrola nos Estados Unidos em 1968, tendo como protagonista um menino chamado Peter.

O diário de Emiliano, que se passa em 2014, é absurdamente engraçado – juro que chorei de rir ao ler determinados trechos, por conta dos termos e expressões utilizadas -, enquanto que Yuri parece que vive em um sonho, daqueles bem doidos. Emiliano narra seu cotidiano a partir do momento em que passa a ter noites maldormidas ou insones. Ele atribui parte de seu cansaço ao desaparecimento de uma mulher (no início, não sabemos exatamente qual é seu relacionamento com ela, mas deduz-se que trata-se de um caso amoroso) e ao recebimento de um misterioso e-mail em russo. Mas mais do que isso, sabe que sua dificuldade de dormir tem a ver com o recebimento do Livro Sem Nome, precisamente o livro que conta a história de Yuri, Igor e da família deles na Ucrânia.

Misturando toques de mitologia nórdica, referências pop dos anos 1990, 2000 e 2010, e um pouco de aventura medieval, Estevez traça uma trama intrincada e curiosa. Seu estilo é muito dinâmico e repleto de bom humor, além de ser claro. Ou seja, é possível entender o que está acontecendo na narrativa, apesar de muitas vezes não sabermos como aquilo que está sendo narrado se conecta com as partes que já conhecemos. A narrativa é repleta de idas e vindas no tempo, mas tudo é devidamente explicitado no início de cada capítulo: sabemos em que ano e em que lugar a ação está acontecendo.

O volume 2 é uma continuação do volume 1, e recomendo que ambos sejam comprados juntos. O primeiro termina num ponto muito alto, o que deixa o leitor curioso para saber como as coisas se resolverão. Porém, no segundo volume, as coisas se complicam e o volume de informações que exigem certa memória por parte do leitor é maior. A trama demora para revelar as conexões entre as histórias e personagens, mas mesmo isso achei interessante, já que a narrativa é instigante o bastante para nos manter curiosos e presos à leitura. Como pontos negativos, a existência de muitos personagens – e vários com nomes russos, o que não facilita -, pode confundir o leitor. A alternância nos diferentes tempos da narrativa (anos 1960, 80, 2000 e 2010) também pode causar esse efeito fragmentário e confuso. Ah, a história também tem cenas muito violentas e repletas de sangue, então se você for uma pessoa sensível a esse tipo de coisa, saiba que há bastante.

Apesar disso, para mim, este foi o típico caso de livro certo na hora certa. Eu estava querendo já há um tempo ler algo com uma história instigante e uma narrativa mais rápida. Estevez conduz bem o fio dos acontecimentos, cheios de ação, e conseguiu me prender na leitura. É um orgulho ter autores brasileiros e independentes produzindo obras tão divertidas e criativas!

Clique aqui para acessar a página do autor no Facebook e encomendar o livro.

+ info:

Exilado v. 1 / Carlos Adriano Estevez.
Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2015.
283 páginas.

Exilado v. 2 / Carlos Adriano Estevez.
Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2015.
246 páginas.

classificação: 4 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

Obrigada pela leitura!

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4 comentários sobre “Exilado

  1. Maria Ester Rodrigues Esteves disse:

    Gostei demais da sua resenha – clara, muito fiel ao livro (que já li). “Exilado” é mesmo tudo isso: divertido, dramático, inteligente.

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