2016, Ciência, História, Não ficção, Parceria, Record, Resenha

Anatomias

Anatomias: uma história cultural do corpo humano, de Hugh Aldersey-Williams

Anatomias 2

“Nos anos entre a publicação do tratado de Versálio sobre a anatomia humana, em 1543, e a pintura de Rembrandt, em 1632, o tópico [corpo, anatomia] tornou-se uma espécie de febre. A queda de Constantinopla em 1453 diante dos otomanos permitiu que a Europa fosse invadida por um influxo de conhecimentos médicos baseados em fontes árabes e da Grécia Antiga. Restrições à abertura do corpo humano, vigentes quando os médicos também eram homens do clero, já não se aplicavam. Decretos reais e papais liberavam para a dissecação corpos de criminosos executados. De repente, tudo podia ser ‘anatomizado’, se não em termos físicos, pelo menos em termos filosóficos. John Donne proclamou em suas Devoções: ‘Retalhei minha própria Anatomia.’ William Shakespeare fez o rei Lear exclamar em sua aflição: ‘Que anatomizem Regan; a ver o que se engendra em seu coração.’” (p. 18)

O livro Anatomias me chamou a atenção pelo título, pela capa e pelo subtítulo. Me interesso muito por ciência e Biologia (e nem preciso mencionar a História, né?!), então não resisti. Solicitei que o Grupo Editorial Record, do qual o blog Redemunhando é parceiro, me enviasse o livro.

O autor, Hugh Aldersey-Williams, é britânico, formado em Ciências Naturais e autor de livros que examinam a ciência (fica a dica que ele tem um livro chamado Histórias Periódicas: a curiosa vida dos elementos, e eu quero!). Neste livro, ele escolheu falar sobre o corpo humano e suas anatomizações, ou seja, nossas tentativas de classificá-lo, separar suas partes, mas principalmente de entendê-lo. Surpreso pelo pouco conhecimento que temos a respeito de nossos próprios corpos, Aldersey-Williams resolveu mergulhar nas maneiras como enxergamos o corpo e suas diversas partes ao longo do tempo e do espaço.

O livro é dividido em três seções (o todoas partes, e o futuro), e cada uma dessas divisões, em capítulos, tais como: a carneos ossoso cérebroo sangueo sexo, a pele. Conta também com introdução, prólogo, epílogo, referências, bibliografia selecionada, e índice. Ah, nesta edição também existe uma parte central com imagens em preto e branco que remetem a alguns trechos do texto.

Na primeira parte, o autor começa tratando o corpo como um lugar, retomando a ideia corrente na Antiguidade Clássica de que o corpo é um microcosmos, uma representação diminuta da perfeição do universo. A partir daí, nos mostra algumas tentativas de mapeá-lo e racionalizá-lo, tornando-o muitas vezes bases para medidas (polegada, pé, etc.) e discutindo questões de simetria corporal, proporção e tamanho na literatura, na arquitetura, nas artes plásticas, na criminalística.

Na segunda seção, visualizamos pela escrita do autor o caleidoscópio de nossas “partes” e as metáforas que elas suscitam no imaginário humano, seja no campo da linguagem (já parou para pensar no tanto de expressões – em quase qualquer idioma, ou deveria dizer língua? – que envolvem partes do corpo? Estar com a pulga atrás da orelha, pagar os olhos da cara, estender uma mão a alguém, etc., etc., etc.), seja nas artes, nas ciências e no senso comum. Fala-se de pesquisas científicas e pseudocientíficas – que, inclusive, descambaram para teorias racistas -, questões de transplante, observações e constatações feitas pelo próprio autor ao longo de sua pesquisa para a escrita do livro.

Cabe nos perguntarmos a respeito do título do livro: Anatomias. O plural é curioso e nos diz muito, como fica confirmado pelo subtítulo: o autor buscou os olhares diferentes sobre o corpo, e tem consciência de que o seu olhar é apenas mais um. Ou seja, que as visões que temos de nossas próprias anatomias são extremamente culturais, influenciadas pelo contexto em que vivemos. A estrutura corporal é a mesma (dentro de um grande número de variações, é claro), mas as interpretações são múltiplas.

Trata-se de um livro multidisciplinar e de uma viagem pelo tempo. Passando por livros de anatomia, peças de Shakespeare, quadros de Rembrandt, um quebra-cabeças vai tomando forma em nossas cabeças, e é possível perceber o quão ricas são as possibilidades do nosso corpo – e mais do que isso, de interpretações sobre nosso corpo.

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+ info:

Anatomias: uma história cultural do corpo humano / Hugh Aldersey-Williams; tradução Bruno Casotti.
Rio de Janeiro: Record, 2016.
363 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

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5 comentários sobre “Anatomias

    • Obrigadaaaa, Kelly!!!!!!! 🙂
      O livro é ótimo, pra quem gosta da área de biológicas ou de humanidades! Até o pessoal das exatas vai se divertir, porque o autor consegue casar muito bem informações das três áreas!
      Muito obrigada pela visita e pelo comentário!
      Beijão!
      Nati

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