2016, Ciência, Grande Desafio do Culto Booktuber 2016, Intrínseca, Não ficção, Resenha

A sexta extinção

A sexta extinção: uma história não natural, de Elizabeth Kolbert


“Até onde podemos identificar as causas dessas revoluções, dá para ver que são bastante variadas: glaciação, no caso da extinção no fim do Ordoviciano; aquecimento global e mudanças na química dos oceanos no fim do Premiano; o impacto de um asteroide nos derradeiros segundos do Cretáceo.
A extinção em curso tem sua própria causa original – não é um asteroide ou uma erupção vulcânica maciça, mas ‘uma espécie daninha’. Como me disse Walter Alvarez, ‘estamos observando, neste mesmo instante, que uma extinção em massa pode ser causada pelos seres humanos’.” (p. 276)

Extinções em massa são reduções bruscas (em termos geológicos) do número de espécies que habitam o planeta. De acordo com a autora Elizabeth Kolbert, jornalista norte-americana, já houve 5 extinções conhecidas até o momento, com extinções de até 95% das espécies. O livro A sexta extinção trata do momento atual que, como sugere o título, apresenta sinais que apontam para uma nova extinção em massa, desta vez possivelmente causada – e tendo como vítimas – nós mesmos, os seres humanos.

O livro conta, de maneira leve (o tema é bem pesado, mas o estilo, não), viagens que Kolbert fez em busca de informações sobre o meio ambiente – ela era colunista de ecologia da revista The New Yorker. Já no primeiro capítulo, ela nos conta sobre uma expedição que fez ao Panamá. Lá, viu o caso da extinção de diversas espécies de anfíbios (ela dá destaque à rã dourada), que tem preocupado muitos biólogos e ambientalistas. Este é o pontapé inicial para toda a discussão do livro. Em cada capítulo, ela fala sobre alguma espécie (extinta, viva ou ameaçada) e, a partir deste microuniverso, trata de algum tema maior, introduz conceitos biológicos, como aquecimento global, introdução de espécies estrangeiras (invasoras) em determinados territórios, as especificidades das zonas intertropicais, etc.

Um dos capítulos de que mais gostei está no início, e fala sobre como surge essa ideia de extinção no meio científico. Eu nunca havia pensado sobre isso, e acho que a maioria das pessoas tende a pensar que alguns conceitos já nascem prontos. Mas demorou para que alguém pensasse na possibilidade de que alguma espécie já tivesse sumido, desaparecido da face da Terra. Devemos lembrar que, antigamente, a ideia de que o mundo havia nascido do jeito que é (pelas mãos de um ou vários deuses) era o que imperava, e raramente era questionada. Kolbert nos situa nessa discussão, em que o naturalista francês Couvier, na década de 1790, propõe que existiu um mundo anterior ao nosso, com formas de vida finitas, não eternas. Tudo isso foi proposto com base em observações geológicas, anatômicas e paleontológicas. Imaginem o alvoroço que isso não causou na comunidade leiga e científica da época!

Outro aspecto interessante que ela traz é que, a partir da aceitação da ideia de extinção, surgem então duas correntes: o catastrofismo, que defendia que essas extinções aconteciam de forma rápida, e o uniformitarismo, segundo o qual as extinções eram graduais – assim como a própria evolução das espécies. Esses conflitos entre ideias revelam o processo de construção de novas teorias e paradigmas científicos, e são importantes para esclarecer que a ciência é uma prática, é modificável de acordo com as evidências que vão surgindo e, portanto, diferem substancialmente de doutrinas religiosas nesse ponto. Não se trata de mágica ou vontade divina inexplicável, mas sim de teorias baseadas em evidências, e que podem ser questionadas e revistas.

Intercalando com o contexto histórico das teorias científicas, alguns capítulos tratam de descrever prováveis causas das extinções em massa anteriores, como por exemplo, um meteorito ou aumento da concentração de oxigênio ou do dióxido de carbono na atmosfera e nos oceanos.

No início da leitura, me pareceu que os exemplos dados (o caso das rãs douradas, por exemplo) se sobrepunham ao assunto principal (as extinções em massa), mas aos poucos, essa impressão se diluiu. Ainda assim, seria interessante uma organização mais cronológica (para ser justa, existe uma linha do tempo ao final da obra) e sistemática; talvez uma simples mudança nos títulos dos capítulos conseguisse esse efeito.

A rã dourada do panamá, Elizabeth Kolbert, e o arau gigante

A autora – obviamente – tem um estilo jornalístico, no sentido de que descreve os aspectos cotidianos de suas viagens e pesquisas, e também traz dados e informações científicas mais precisas, com as devidas referências em notas de fim. Trata-se de um bom jornalismo de divulgação científica! Recomendo para quem se interessa pelo assunto e para quem quer estar mais informado a respeito das coisas do nosso mundo! 🙂

Clique aqui para comprar A sexta extinção pela Amazon (comprando por este link, você gera uma comissão para o Redemunhando)

+ info:

A sexta extinção: uma história não natural / Elizabeth Kolbert; tradução Mauro Pinheiro.
Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.
334 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

Obrigada pela leitura!

Ficarei muito feliz se você deixar um comentário! (Para fazer isso, é necessário clicar em “comentários”, um pouco abaixo do título do post. E não se esqueça de logar antes de escrever o comentário, para que ele não seja perdido.)

Se gostou da resenha, compartilhe com seus amigos!

Anúncios
Padrão

6 comentários sobre “A sexta extinção

    • AFE, eu AMO ler divulgação científica (vc sabe né), e sempre que dá, gosto de divulgar também! 🙂
      Entendo seu receio, jornalistas tendem a generalizar e escorregar em vários aspectos. É um risco que temos que correr ao lê-los, acho. Achei o livro bem embasado, mostrando as fontes, apesar de ser bastante narrativo.
      Beijoooo!!!

  1. Adoro autores que escrevem em estilo jornalistico. Falando sobre ciencia entao, fica ainda mais interessante! Acho que é o tipo de livro que acrescenta algo na vida do leitor, o que é sempre muito valido.
    Fiquei bastante curiosa para ler esse livro!
    Beijos

    • Juuu!!! Também adoro divulgação científica! Jornalistas têm a vantagem de escrever bem, embora às vezes escorreguem em conceitos e problematizações. De qualquer maneira, gostei muito da maneira como a Kolbert aborda os assuntos (só acho que essa pequena modificação nos títulos dos capítulos poderia fazer maravilhas para a organização dos nosso pensamentos)!
      Beijooooooo!
      Nati

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s