2015, Pessoal

Retrospectiva 2015

Olá, redemunhandos!

Adoro final de ano, é quando revejo família e amigos e tem todo aquele clima de confraternização! E neste final de ano não está sendo diferente, estou na minha cidade natal, São José dos Campos (SP), e isso significa também que estou longe do meu computador. Portanto, os posts no blog e vídeos no canal estão/serão um pouco irregulares. Já aviso também que estou atrasada com vídeos e posts dos canais e blogs que visito constantemente… férias, gente. Tá difícil manter o mesmo ritmo! Mas em fevereiro tudo voltará ao normal! 🙂

Gosto de fazer uma retrospectiva para analisar a quantidade e a qualidade de livros que li, e isto me ajuda a perceber algumas mudanças e permanências nos meus padrões de leitura! Vamos lá então (esta retrospectiva foi escrita em 30 de dezembro de 2015). Ao longo deste ano:

LEITURAS

  • Em 2015, li um total de 116 livros (de diversos tamanhos, que fique claro que muitos deles são pequenos!)!!! Recorde pessoal total, e será difícil manter este ritmo ano que vem. Em 2015, tudo conspirou para que eu lesse muito: tenho muito tempo livre (meu trabalho atual tem muitas “janelas” e horários incertos), sossego em casa, início do canal, muitas compras de livros, boas indicações e a parceria com o Grupo Editorial Record (falo um pouco mais sobre isso mais abaixo)!
  • Perfil das leituras:
    • Ficção, literatura brasileira, não-ficção, filosofia, graphic novel, cartas, distopia, história, contos, poesia, biografia, fantasia, memórias, crônicas, biologia, dicionário (!), policial, chick lit, infanto-juvenil, artigos, clássico, romance, peça de teatro, contos de fadas, paradidático, fábulas.
    • Viajei por diversos países e estados brasileiros ao longo da leitura: Índia, Bahia, Israel, Rio Grande do Sul, Estados Unidos, Inglaterra, São Paulo, Hogwarts, Santa Catarina, Rússia, Alemanha, Moçambique, Chile, Rio de Janeiro, Europa medieval, Minas Gerais, Colômbia, Grécia e Roma Antigas, Escócia, França, Polônia, Amazônia, China, Uruguai, Sergipe, continente africano, Argentina, Pará, Espanha…
    • 75 dos livros lidos foram escritos/organizados por homens; 43 deles, escritos/organizados por mulheres (OBS.: os livros que tinham um autor homem E uma mulher foram contabilizados em ambos)
  • Melhores leituras do ano:

  • Projetos de leitura de que participei: #LendoADitadura; #LeiaMulheres; #MêsDaConsciênciaNegraNaLiteratura; #PapoDeHistoriadoras

  • Se você acha esquisito que eu saiba de tudo isso, talvez esse vídeo esclareça algumas coisas:

BLOG

  • O blog teve 61 posts no total (contando este!), sendo a grande maioria de resenhas. Ainda tem algumas resenhas engatilhadas, mas ficarão para 2016!
  • Os posts com mais visualizações – sendo o primeiro mencionado o mais visto – foram:
  • O número de visualizações no blog cresceu muito de 2014 para 2015, obrigada a todos os que acessam por isso!!!

viewsblog

  • Tivemos visitas de 58 países no total, sendo os tops Brasil, Estados Unidos (valeuuuu, Menchik!!!) e Portugal!

paisesblog

CANAL
  • Comecei oficialmente o canal do Redemunhando no Youtube em 14 de fevereiro de 2015, e desde então, foram publicados um total de 72 vídeos;
  • Terminamos o ano com 579 inscritos (edit, dia 31/12 às 13:55: já estamos nos 588 inscritos!!! Obrigada!) e mais de 12 mil visualizações! Obrigada a todos os que são inscritos, visitam, curtem e comentam!

canalresumo

  • Conheci pessoas e canais absolutamente incríveis este ano. Será impossível citar todos, então não vou citar nenhum para não esquecer. Mas se tiver curiosidade, a lista completa dos canais que sigo no Youtube está aqui.
  • Participei de um amigo secreto literário muito divertido, e a partir dele, acabamos criando O Grande Culto Booktuber (O GRANDE DESAFIO DO CULTO BOOKTUBER vem aí, fiquem ligados que haverá um post explicando tudo!)

Gostaria de agradecer imensamente a todos os familiares, amigos, seguidores e leitores que me motivam a ler cada vez mais e a fazer resenhas cada vez melhores; comentários, sugestões e compartilhamentos são absolutamente bem-vindos, quero sempre melhorar para vocês! ❤

Obrigada por todo o apoio de sempre! Continuaremos juntos ano que vem, e que 2016 seja uma delícia para todos! Adeus 2015, e obrigada por tudo, apesar dos pesares.

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2015, Bertrand Brasil, Ficção, Resenha, Teatro

O berço do herói

O berço do herói, de Dias Gomes

OBerçoDoHeroi

“MAJOR
Atentem nisso: há dez anos que esta cidade vive de uma lenda. Uma lenda que cresceu e ficou maior que ela. Hoje, a lenda e a cidade são a mesma coisa.
ANTONIETA
Que tem isso? Você acha que…
MAJOR
Na hora em que o povo descobrir que Cabo Jorge está vivo, a lenda está morta. E com a lenda, a cidade também vai morrer.” (p. 82)

Cabo Jorge virou herói. Nasceu numa pequena cidade brasileira, foi convocado para lutar ao lado dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Fez parte da Força Expedicionária Brasileira (FEB), a força militar brasileira de mais de 25 mil homens, que participou da Campanha da Itália. Cabo Jorge morreu de maneira destemida durante uma batalha; inspirou seus colegas a lutarem bravamente, e agora, recebe como homenagem uma estátua em sua cidade natal. Ele torna-se a figura mais proeminente da comunidade, cria-se todo um comércio em torno de sua imagem (medalhinhas, “relíquias” como falsos botões de suas roupas), turismo (com destaque para o serviço de prostituição que a vila oferece), arrecadação de verbas. A cidade muda seu nome para Cabo Jorge. Até que, certo dia, Cabo Jorge reaparece, vivinho da silva.

O reaparecimento de Cabo Jorge ameaça minar muitas das conquistas e da dinamicidade que a cidade adquiriu após sua “morte”. As autoridades se reúnem e decidem o que deve ser feito em relação a esse tão inesperado retorno.

A peça de Dias Gomes teve tentativas de ser encenada no início da da ditadura militar brasileira (1964-1985), mas foi proibida na noite de estréia, em 1965, e permaneceu censurada pelos vinte anos seguintes. O fato de o militar Cabo Jorge ser o elemento central da peça (que vai lutar na guerra e volta vivo, mostra que, ao contrário de ser um homem 100% corajoso, “se acovardou” e fugiu do campo de batalha após ficar ferido), traz em seu bojo uma crítica aos militares, no sentido de mostrar que não são infalíveis e que, muitas vezes, a imagem que nos é passada é diferente da realidade. Mais do que isso, as grandes críticas da peça não se centram no Cabo Jorge, mas sim nas figuras públicas (classe dominante) como o Major (uma espécie de coronel que comanda a região), o Prefeito (marionete do Major), o Vigário e o General (membro do Exército que vem do Rio de Janeiro para tentar resolver a situação).

A peça de Dias Gomes traz reflexões interessantíssimas sobre o papel da memória sobre a nossa construção de identidade, a criação de heróis pela História, e a desconstrução deles pela realidade. Ou seja, será que existe, de fato, um herói? Nesse caso, tendemos a nos lembrar apenas das virtudes da pessoa, esquecendo-nos de suas falhas tão humanas. A quem interessa que existam heróis?

Na orelha do livro, Ênio Silveira resume:

“Começa, então, o drama: os beneficiários de seu pretenso heroísmo não podem aceitar que a sobrevivência insólita e inoportuna ponha por terra todo um esquema de exploração comercial do mito.
Não revelaremos mais para não tirar ao leitor o sabor doce-amargo em que a farsa chega ao fim. Dias Gomes tinha um alvo a atingir e o alcança plenamente. Os mitos brasileiros, espontâneos ou feitos a martelo, sempre acabam assim: explodem como bolhas de sabão, e seus respingos atingem muita gente.

O prefácio de Paulo Francis na edição da Bertrand Brasil é interessantíssimo (foi escrito em 1964 e traz um tom ácido contra o regime militar então recém-implantado no país), e situa a peça historicamente, contextualizando-a, além de trazer à luz diversas dessas questões e reflexões. Porém, recomendo que ele seja lido após a leitura da obra.

Pedi este livro graças à parceria com o Grupo Editorial Record, e agora quero ler as outras peças de Dias Gomes! Uma obra bem rápida de ser lida por seu tamanho, dinâmica por sua linguagem e sua forma de peça teatral, tragicômica por seu conteúdo e desenvolvimento, e rica por seus questionamentos. Vale muito a pena!!!

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+ info:

O berço do herói / Dias Gomes.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2015.
153 páginas.

classificação: 4 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

Ficarei muito feliz se você deixar um comentário! (Para fazer isso, é necessário clicar em “comentários”, um pouco abaixo do título do post. E não se esqueça de logar antes de escrever o comentário, para que ele não seja perdido.)

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2015, Bertrand Brasil, Ficção, Resenha

Intempérie

Intempérie, de Jesús Carrasco

Intemperie

“Deslocando-se, minúsculo e escuro, no meio daquela negrura maior, ele se perguntou se haveria algo na linha que ligava a sua posição com aquele norte total que lhe pudesse ser conveniente. Talvez árvores frutíferas à beira dos caminhos, fontes de água limpa, longas primaveras. Não conseguiu definir um objetivo exato, mas não se importou. Ao se dirigir para o norte, afastava-se da aldeia, do aguazil e de seu pai. Estava avançando, e isso lhe bastava. Pensou que o pior que poderia lhe acontecer seria dilapidar suas limitadas forças avançando em círculo, ou, o que dava no mesmo, aproximando-se dos seus. Sabia que, mantendo invariável o rumo, mais cedo ou mais tarde encontraria alguém ou alguma coisa. Era somente uma questão de tempo. No máximo, daria a volta ao mundo e tornaria a topar com a aldeia. Então, já seria indiferente. Seus punhos estariam duros como uma rocha. Mais: seus punhos seriam de rocha. Teria vagado quase eternamente e, mesmo que não tivesse encontrado ninguém, teria aprendido de si e da Terra o suficiente para que o aguazil não pudesse humilhá-lo de novo.” (pp. 18-19)

Este foi mais um livro que solicitei ao Grupo Editorial Record após ler sua sinopse, graças à nossa parceria. Me interesso muito por temas do sertão, embora aqui não estejamos falando do sertão brasileiro propriamente dito.

Intempérie trata da jornada de um menino (não sabemos sua idade, mas acredito que tenha por volta de 9 a 12 anos) por uma terra inóspita. Ele vivia em uma pequena comunidade rural que vinha sofrendo por causa de uma seca inclemente, e decidiu fugir de sua família, sua vila e do aguazil – uma espécie de governante do lugar, de oficial de justiça. Não sabemos exatamente o porquê no início.

Aliás, o livro é cronologicamente linear, mas parte do ponto em que o menino escapa e se esconde dos grupos de busca que se montaram para encontrá-lo. Então não narra de cara seus motivos, mas sim suas inúmeras dificuldades de recém-fugido, as coisas em que não havia pensado antes: a falta de água potável, o fato de não poder viajar durante o dia, correndo o risco de encontrar alguém que o delate para o aguazil, etc. Aos poucos, vamos sabendo através dos pensamentos do garoto os motivos de sua fuga.

Sabemos de tais pensamentos pois o livro, apesar de ser narrado em terceira pessoa, acompanha o ponto de vista do menino. Um narrador em terceira pessoa seletivo, pois só tem onisciência da vida do protagonista.

Em sua caminhada pela planície empoeirada e ardente, acaba encontrando um pastor de cabras ancião, um tipo muito quieto, rude, solitário e misterioso. Mas que será sua salvação. Por força das circunstâncias, eles acabam se tornando companheiros de travessia.

O cenário em que se trava a história não é individualizado por um nome, mas fica bem claro ser um cenário europeu – ou pelo menos, mediterrânico que sofre com uma intensa estiagem. Isso porque a descrição do terreno seco mas com olivais intermitentes, figueiras-da-índia, entre outras espécies, nos direciona para tal paisagem.

Olival no Mediterrâneo

…mas a paisagem descrita se parece bastante com isso…

A linguagem de Carrasco é crua, porém rica (acrescentei várias palavras ao meu vocabulário). Seca como sua história, seus personagens e o espaço em que se desenrola o romance. É um caso em que a forma e o conteúdo do livro se mesclam, e adoro quando isso acontece, já que é impossível separar um do outro. Torna tudo mais real.

Este livro me lembrou bastante outros dois de que também gostei muito – Vidas secasTerra sonâmbula – e, ainda assim, apesar das comparações com livro já queridos, este me surpreendeu positivamente.

Durante a leitura, percebi uma alternância de ritmos: ora a descrição se arrasta, ora, os acontecimentos se precipitam e aceleram. Tal mudança constante de ritmos reflete perfeitamente o estado de espírito do menino, que oscila entre o pessimismo – a ideia de que vai morrer – e o alívio por ter se livrado de situações abusivas. Os momentos em que a viagem acontece são mais lentos e difíceis, enquanto que alguns pontos da narrativa (estratégicos!) nos “acordam” e servem de motor para a continuidade da história.

Este livro venceu alguns prêmios na Europa, incluindo Libro del Año 2013 na Espanha. E é apenas o primeiro romance publicado pelo espanhol Jesús Carrasco.

Capa espanhola de Intemperie

Foi uma agradabilíssima surpresa, e gostei do final, o que garantiu ao livro uma quinta estrela na minha avaliação! Recomendo, principalmente para quem, como eu, gosta de ler as dificuldades humanas frente ao sertão e a outros seres humanos. Trata-se de um livro intenso em sua densidade.

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+ info:

Intempérie / Jesús Carrasco; tradução .
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2015.
181 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: MEDIO

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2015, Companhia das Letras, Contos, Ficção, Resenha

Antes do baile verde

Antes do baile verde, de Lygia Fagundes Telles

“A grande dama não conta: ela murmura, fala baixinho. Aproxima-se do leitor como seus gatos, de que ela gosta tanto. Parece até que são apenas estórias em torno daquelas mesas de barzinhos refinados, em fim de tarde de verão. Não as mesinhas da calçada, propícias ao chope, à algazarra, à voz elevada. Mas aquelas protegidas pelo ar-condicionado e pela luz indireta, nem um pouco solar. Não se engane com essa sinuosidade felina, felpuda. Não vá na conversa, não relaxe. Fique esperto. Porque, quando você menos espera, as unhas retráteis aparecem e, logo depois delas, o risco na carne, o filetinho de sangue escorrendo. Nada muito profundo, mas o suficiente para incomodar, na hora e por tempo extenso, cravadas na memória. O suficiente para se lembrar de que, nas próximas vezes, você não deve se aproximar tão desguarnecido e confiante, porque o bote pode vir, quando menos se espera, não se sabe de onde. A cada aproximação, um aprendizado, independentemente do conto que você escolha.
Fique esperto! Não confie no ron-ron de Lygia Fagundes Telles.” (pp. 181-182)

Antes de mais nada, minha ideia de sempre colocar no início do post um trecho do livro é de colocar você, leitor do blog, em contato com a escrita do autor de que estou tratando. Neste caso, não encontrei um trecho que se adequasse a isso: os inícios dos contos são tão cotidianos que não despertam grande interesse, e os finais, bem, me recuso a revelá-los aqui! Só lendo para saber. Escolhi, então, um pedaço do posfácio escrito por Antonio Dimas, professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Na minha opinião, ele define muito bem o estilo dela. Dito isto, vamos à resenha:

Antes do baile verde é um livro de contos da autora paulistana Lygia Fagundes Telles. Foi publicado pela primeira vez em 1970, mas esta versão final da coletânea (versão escolhida pela autora, que contém dezoito contos) tem textos que foram escritos desde 1949. Já resenhei aqui no blog o romance As meninas, da mesma autora, e encontrei nos contos características da escrita que já haviam me chamado a atenção no romance.

Lygia varia entre narração em primeira e em terceira pessoa; protagonistas homens e mulheres, adultos e crianças; cada conto é de um jeito. Mas mesmo assim, eles carregam perceptivelmente um estilo próprio da autora. Como bem delineou Carlos Drummond de Andrade, “o livro está perfeito como unidade na variedade”.

Reflexões pessoais, conversas e lembranças de casais, irmãos. Tudo serve de tema. Mas só Lygia consegue transformar cada uma das situações em uma tijolada no leitor. Os contos dela são densos, do jeito que gosto: se iniciam com uma situação pequena, aparentemente leve e cotidiana, vão evoluindo – na maioria das vezes, internamente aos personagens – e, ao final, PAM! – a tijolada.

Ou seja, as grandes ações dos contos de Antes do baile verde se encontram dentro dos personagens: reflexões, questionamentos, angústias, dúvidas, ciúmes. Por fora, tudo aparentemente normal. Por dentro, um turbilhão, maremoto que só pode terminar em tsunami. Aliás, muitos dos contos terminam no clímax. Vários deles (a maioria) deixam a imaginação do leitor funcionar para compreender o desfecho. Lygia provoca mais através do vazio, da lacuna, do silêncio.

A ambientação dos contos é extremamente precisa, apesar de a descrição estar longe de ser exaustiva. A autora consegue, em um parágrafo, dar uma ideia do ambiente, em geral, descrevendo detalhes que me fizeram imaginar os locais tão vividamente como se eu estivesse assistindo a um filme. Aliás, que mão para detalhes! A atenção a eles faz toda a diferença para a construção das histórias: as moças colando lantejoulas no vestido no conto Antes do baile verde, a descrição da música tocada pelo saxofonista em O moço do saxofone, as lembranças de infância em Verde lagarto amarelo, o perfume da roseira imaginária (ou memorizada) em A janela, o mato tomando conta do cemitério abandonado em Venha ver o pôr do sol, o rio verde em Natal na barca.

Muitas vezes, o real se funde ao fantástico confundindo e fascinando o leitor (posso arriscar falar em “realismo mágico”?), como no conto A caçada, por exemplo.

É possível, ainda, ler o livro em várias “camadas”: desde a mais superficial, da historinha, até as mais profundas, explorando os sentimentos dos personagens e os significados e metáforas espalhados pelo texto.

Os textos que mais me tocaram foram: Verde lagarto amareloA caçada (aliás, na leitura deste, aconteceu uma coisa estranha: tive a impressão de já conhecer a história, mas não sei se já a tinha lido antes. O estranho é que o conto trata justamente de um homem que reconhece uma cena de caçada numa tapeçaria antiga, e ele tem uma sensação bem parecida com a que eu tive, de déjà vu, ou uma espécie de inception!), A chaveA janelaNatal na barca O meninoO jardim selvagem eu já havia lido no Ensino Médio, e achei melhor ainda que da primeira vez que li!

Não consigo expressar o quanto amei este livro. O posfácio de Antonio Dimas também é fantástico, fornece um certo ordenamento de diversas ideias e sensações que surgem a respeito do texto mas que não sabemos ao certo expressar. Recomendo para qualquer um (LEIAM)!

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Antes do baile verde: contos / Lygia Fagundes Telles; posfácio de Antonio Dimas.
– São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
205 páginas.

classificação: 5 estrelas

FAVORITO
grau de dificuldade de leitura:
 MEDIO

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