2015, Ficção, Harry Potter, Resenha, Rocco

Os contos de Beedle, o bardo

Os contos de Beedle, o Bardo, de J. K. Rowling

Os contos de Beedle, o Bardo é uma coletânea de histórias populares para jovens bruxos e bruxas, contadas há séculos à hora de dormir, daí serem o ‘Caldeirão Saltitante’ e a ‘Fonte da Sorte’ tão conhecidas de muitos alunos de Hogwarts quanto ‘A gata borralheira’ e ‘A bela adormecida’ das crianças trouxas (não mágicas).
As histórias de Beedle se assemelham aos nossos contos de fadas sob muitos aspectos; por exemplo, a virtude é normalmente premiada e o vício castigado. Apresentam, porém, uma diferença evidente. Nos contos de fadas trouxas, é comum a magia estar na raiz dos problemas do herói ou da heroína – a bruxa malvada envenenou a maçã, ou fez a princesa mergulhar em um sono de cem anos, ou transformou o príncipe em uma fera horrenda. Nos 
Contos de Beedle, o Bardo, ao contrário, encontramos heróis e heroínas que, embora capazes de realizar mágicas, descobrem que lhes é quase tão difícil resolver seus problemas quanto o é para nós, trouxas. As histórias de Beedle ajudaram gerações de pais bruxos a explicar este doloroso fato da vida aos seus filhinhos: a magia tanto causa dificuldades quanto as resolve.” (pp. XI-XII)

Estou aqui para dizer que estou revoltada com as pessoas que me conhecem e sabem que eu amo Harry Potter e não me indicaram esse livro para ler antes. Humpf. E também para, desde já, recomendar a quem gosta de Harry Potter que leia Os contos de Beedle, o Bardo!

Meu processo foi o seguinte: este ano reli a série toda. Agora, aparecerá um spoiler (se vocês não leram ainda, #VãoLerHarryPotter!!!). No último livro, Dumbledore deixa para o trio alguns objetos de herança, um para cada um. Para Harry, o pomo de ouro do seu primeiro jogo pela Grifinória; para Rony, o desiluminador; e para Hermione, este livro: Os contos de Beedle, o Bardo. Um livro de contos para crianças bruxas, aparentemente inocente. Porém o livro contém notas do ex-diretor de Hogwarts, e suas anotações ajudam os três a resolverem os mistérios restantes a respeito de Harry, Voldemort, as horcruxes, e tudo isso.

O trecho destacado no início do post é o começo da introdução, escrita pela J. K. Rowling. Ela esclarece do que se tratam os contos, e compara com os contos de fadas trouxas. Além dos aspectos apontados, ela também destaca a questão do feminino: nas histórias de Beedle, as mulheres são fortes e ativas em busca de seu “destino”, diferentemente dos contos de fadas tradicionais (em que as heroínas esperam os príncipes, eles se casam – os príncipes com as heroínas, e não os príncipes entre si – e são felizes para sempre). Em seguida, ela conta um pouco da biografia de Beedle (um bardo barbudo que viveu no século XV) e evidencia algumas linhas que contornam os contos:

“Se suas histórias refletem com fidelidade suas opiniões [de Beedle], ele inclusive gostava de trouxas, e os considerava mais ignorantes do que malévolos; desconfiava da magia negra, e acreditava que os piores excessos da bruxidade decorriam de suas características demasiado humanas de crueldade, apatia ou arrogante desperdício dos próprios talentos. Os heróis e heroínas que saem vitoriosos em suas histórias não são os que têm a magia mais poderosa, mas os que demonstram maior bondade, bom-senso e inventividade.” (pp. XIII-XIV)

Ela também explica a inclusão das anotações feitas por Alvo Dumbledore.

O livro tem cinco contos no total: em O bruxo e o caldeirão saltitante, temos  uma lição que um pai generoso quer ensinar ao filho egoísta; A fonte da sorte fala sobre colaboração e superação de obstáculos; O coração peludo do mago revela as profundezas mais animalescas de nossas almas; Babbitty, a coelha, e seu toco gargalhante tem a ver com ambição e algumas leis da magia do universo potteriano; e, finalmente, O conto dos três irmãos narra a aventura de três irmãos que, ao se encontrarem com a Morte, recebem dela o direito a um desejo cada um. É este conto que será o mais importante para a saga Harry Potter. As anotações de Dumbledore a este respeito não são tão reveladoras, já que ele receava que o livro caísse em mãos erradas, mas são reveladoras o suficiente para que Harry, Rony e Hermione as decifrem no sétimo livro.

As histórias são muito mais do que isso, trazem o encantamento dos contos de fadas: elementos mágicos e morais também.

Detalhes maravilhosos do livro: está escrito que a tradução das runas para o inglês foi feita por Hermione Granger ( ❤ ); Dumbledore cita que existem outras versões desses contos, versões mais light, adaptadas por Beatrix Bloxam, numa referência claríssima a Charles Perrault, escritor francês que “suavizou” os aspectos mais violentos e assustadores dos contos de fadas a fim de que eles fossem lidos também na corte; existem algumas ilustrações que deixam o livro um charme. Deixarei algumas delas abaixo (peguei-as em outros sites; para ir até eles, basta clicar na figura):

Ilustração para “O bruxo e o caldeirão saltitante”

Ilustração para “A fonte da sorte”

Ilustração para “A fonte da sorte”

Ilustração para “O conto dos três irmãos”

Detalhe dos números das páginas com filigranas

Sei que muita gente não curte tanto as edições da editora Rocco para Harry Potter, mas a fonte que eles usam, a tradução imperfeita, e até as páginas brancas me trazem uma sensação inexplicável! Meio nostálgica mesmo… Seria maravilhoso se houvesse edições de luxo, bem caprichadas, em português. Mas essas, para mim, já contêm muita mágica embutida!

Eu leria facilmente esses contos para qualquer criança. Alguns são mais pesados que outros, por tratarem de morte e maldade, mas ainda assim, são temas com os quais as crianças precisam ter contato também.

Rowling mostra sua genialidade neste livro não só ao criar contos bruxos, mas também ao interligar tão bem todos os pontos: leis da magia presentes em Harry Potter e que são devidamente respeitadas nas histórias de Beedle, os comentários de Dumbledore sobre História da Magia, etc. Aliás, Dumbledore se revela um belo historiador, pois contextualiza, trata suas fontes, cita notas de rodapé e tudo.

Recomendadíssimo para quem é fascinado pelo universo de Harry Potter, assim como eu!

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+ info:
Os contos de Beedle, o bardo / J. K. Rowling; tradução de Lia Wyler
– Rio de Janeiro: Rocco, 2008.
107 páginas.

classificação: 5 estrelas
grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!
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8 comentários sobre “Os contos de Beedle, o bardo

  1. Hum, achei legal que você gostou. O único spin-off de HP que eu já li foi “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (que inclusive vai virar filme), e achei muito ruim na época…daí acabei desanimando com os outros. Mas talvez eu possa dar uma chance para os contos 😉

    • Nossa, achei esse muito bom mesmo, Menchikos!!! Concordo com vc sobre “Animais fantásticos” e o do Quadribol (até doei os dois), mas este vale a pena! 😀
      Talvez vc não queira ter / comprar, mas se um dia cair na sua mão, leia que é uma graça! E os comentários do Dumbledore e da Rowling são excelentes!

  2. Naaati, mais do que querer ler esse livro e ter ele na minha coleção, quero fazer isso depois de reler toda a saga, assim como tu fez! Quando li o primeiro, eu tinha 11 anoooossss, pensa! Acho que seria uma experiência muito bacana fazer isso agora novamente. E depois rever os filmes. E ler os contos de Beedle! Cara, J.K. Rowling é demais. To louca pra assistir o filme sobre ela disponível no Netflix. :*

    • Kakaaaaa, eu acabei de reler HP (também li o primeiro quando tinha 11 anos *___* ), e foi ótimo!!!! Estou até com um post feito (dois, na verdade) sobre a releitura, falta publicar. Pensei em deixar para perto do Natal! 🙂
      É MUITO bom, recomendo!!!!!! Nós percebemos algumas coisas novas, mas a experiência é muito parecida com a primeira, maravilhosa! ❤
      Beijoooo, sua linda!
      Nati

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