2015, Companhia das Letras, Ficção, Resenha

Cadê você, Bernadette?

Cadê você, Bernadette?, de Maria Semple


“Naquela noite, durante o jantar, aguentei mamãe e papai me bombardeando com seus ‘Estamos-tão-orgulhosos-de-você’ e ‘Ela-é-muito-inteligente’ até que eles me dessem uma trégua.
‘Vocês sabem o que isso quer dizer’, eu disse. ‘A baita coisa que isso quer dizer.’
Mamãe e papai se olharam, franzindo a testa em dúvida.
‘Vocês não se lembram?’, perguntei. ‘Quando entrei na Galer Street, vocês disseram que, se eu tirasse notas perfeitas do começo ao fim, poderia pedir o que quisesse de presente de formatura.’
‘Eu me lembro’, disse mamãe. ‘Fizemos isso para fugir das conversas sobre um pônei.’
‘Isso eu queria quando era pequena’, eu disse. ‘Mas agora quero outra coisa. Vocês não estão curiosos para saber o que é?’
‘Não tenho certeza’, disse papai. ‘Estamos?’
‘Uma viagem com toda a família para a Antártida!’
” (pp. 12-13)

Assim se inicia a história do livro Cadê você, Bernadette?. Decidi lê-lo pois a Tati Feltrin fala muito bem dele (diz que é um livro hilário), e essa capa é demais! Ok, eu não resolvi ler por causa da capa. Mas ajuda, né? Prefiro livros mais profundos e reflexivos, mas também gosto de livros leves e divertidos, ainda mais quando se está numa quase-ressaca literária. Foi exatamente neste contexto que resolvi lê-lo, tinha acabado de sair da Maratona Literária de Inverno #MLI2015, e precisava ler coisas relaxantes.

A história é sobre a família formada por Bee Branch, adolescente de 15 anos, Elgin Branch, seu pai e executivo da Microsoft (aliás, ele é meio que um gênio-nerd da Microsoft, coleciona patentes e é famoso dentro da empresa), e, é claro, Bernadette Fox, mãe de Bee e esposa de Elgin. É uma família que mora em Seattle (EUA), mas não segue os padrões da cidade. Traduzindo: é uma família esquisita e que não se importa com a opinião alheia. Isso é verdade especialmente para Bernadette. Ela é uma pessoa quase reclusa, que não é sociável com as outras mães e pais da escola de Bee (Galer Street) – inclusive, chama-as “carinhosamente” de “moscas”. Por isso, acaba passando por antipática e antissocial, o que de certa forma, ela é. Vive reclamando de tudo (o clima de Seattle, as moscas de Galer Street), mas de uma maneira engraçada e irônica. Por isso, o livro é muito bem-humorado.

bernadette01

Bee consegue tirar as maiores notas na escola em todas as matérias, e com isso, pode pedir o presente que quiser de formatura. Como boa nerd, ela pede uma viagem em família para a Antártida! Porém, coisas incômodas começam a acontecer.

Bernadette comete algumas gafes sociais que se transformam em acidentes, e isso leva seu marido a pensar que ela está com problemas psicológicos. Ok, não é uma conclusão tão direta assim, mas aos poucos, com o desenrolar da trama, vamos percebendo porquê ele acha isso: Bernadette é arquiteta, e chegou a ter dois projetos muito famosos e aclamados na academia. Mas desde que teve Bee, desistiu de sua vida profissional e acomodou-se nessa personalidade excêntrica – isso para não falar na residência peculiar deles: totalmente diferente das casas da vizinhança, e precisando de reformas urgentes!

Enfim, coisas acontecem (coisas importantes mas que não vou contar aqui para não estragar a experiência de leitura de vocês) e Bernadette desaparece, some do mapa. Só resta a Bee tentar encontrar sua mãe.

Eu não definiria este livro como “hilário”, mas é inegavelmente divertido. As personagens são interessantes com suas personalidades únicas, e a história se desenrola de maneira muito bacana. Não há vilões, todos os personagens têm um lado bacana e um lado questionável.

E uma das coisas de que mais gostei foi a maneira como a história é narrada. Ela é toda uma gama de documentos diversos, retalhos através dos quais conseguimos construir a narrativa na nossa cabeça (basicamente um trabalho de detetive, mas sem muito mistério). Uma hora, lemos um e-mail de Bernadette para sua assistente pessoal virtual na Índia, outra hora, a comunicação entre duas mães da escola Galer Street, em seguida, um bilhete, depois uma fala de Bee (se existe uma narradora principal, é ela), um artigo, entrevistas, mensagens no celular. Ao juntar os pedaços, temos uma história que se forma. É quase que um narrador misto (onisciente porque acabamos sabendo de várias facetas da história, mas individual, porque sempre se parte de um ponto de vista)!

A primeira metade do livro foi mais difícil de engrenar para mim; mas insisti para ver se melhoraria. E melhorou. Da metade para a frente, a história realmente se torna mais interessante e emocionante (tem mais ação!), mas devo admitir que a primeira metade é importante para que o cenário seja montado e o desaparecimento de Bernadette, devidamente explicado.

Super recomendado se você procura um livro divertido e leve!

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+ info:

Cadê você, Bernadette? / Maria Semple; tradução André Czamobai.
São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
372 páginas.

classificação: 4estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

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12 comentários sobre “Cadê você, Bernadette?

    • Oiii Lu, obrigada por estar aqui! 😀
      Esse livro é bem legalzinho, ainda mais se vc está com vontade de ler algo do tipo! 🙂 Tem momentos que achei um pouco mais lentos, mas é um livro tranquilo de ler!
      Beijão!
      Nati

  1. O que me fez ler sua resenha foi a capa do livro! Acho que tem bastante a minha cara. Gosto de narrativas simples e engraçadas. Incrível como a capa de um livro pode nos motivar a ler um livro! Como sempre suas resenhas são muito boas e nos motivam a ler cada vez mais. Bjks

    • Oiii Ed!!!!!!
      A capa desse livro é DEMAIS mesmo, acho que todo mundo se apaixona por ela! 🙂 Por isso coloquei-a no post do Face, sabia que chamaria a atenção!
      Muito obrigada por acompanhar o blog e o canal, ele não seria nada sem vcs!
      Leia sim este livro, talvez vc goste!
      Beijooo!

  2. Oi Nati! Nossa, nunca ouvi falar nesse livro, mas parece divertido.
    E pelo que eu ouvi falar, todas as pessoas de Seattle são meio malucas 😛 (nunca fui, entretanto)
    Só um detalhe: teve um lugar que vc escreveu “resente”, falta um “p” ali

    Bjos!

  3. Oi Nate!
    Realmente é bom às vezes variar os temas. Depois de ler muitos livros pesados, estou agora no livro da Mindy Kalling (Is Everyone Hanging Out Without Me?). É no mesmo tom que o livro da Tina Fey, já leu? Meio auto-biográfico e muito engraçado. =)
    Beijos

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