2015, Cosac Naify, Ficção, Resenha

Trash

Trash, de Andy Mulligan


“Meu nome é Raphael Fernández e sou um garoto do lixão.
As pessoas me falam: ‘Nunca se sabe o que você pode encontrar mexendo no lixo! Hoje pode ser seu dia de sorte’. Eu respondo: ‘Camarada, acho que sei muito bem o que vou encontrar’. E sei o que todo mundo encontra, pois sei o que nós achamos no lixo durante esse tempo todo em que tenho trabalhado aqui, ou seja, onze anos. É esta única palavra:
barro, que nada mais é – sem querer ofender – do que dejetos humanos.
[…]
Quer saber como é lá? Bom, você consegue sentir o cheiro de Behala muito antes de ver o lugar. Deve ocupar o espaço de duzentos campos de futebol, ou talvez mil quadras de basquete, não sei: parece se estender infinitamente. Não sei quanto do lixo é barro, mas, num dia ruim, parece que é a maioria, e passar a vida remexendo no lixo, respirando aquele fedor, dormindo ao lado dele – bom… Talvez um dia você encontre ‘alguma coisa legal’. Ah, sim.
Um dia eu encontrei.
” (pp. 9-11)

Andy Mulligan é inglês e trabalhou como professor de inglês e teatro em projetos de voluntariado em diversos países subdesenvolvidos, tais como: Índia, Brasil, Vietnã e Filipinas. O livro Trash foi publicado em 2010 e escrito, segundo Mulligan, em 10 dias seguidos!

Trata-se da história de Raphael Fernández, menino morador do lixão chamado Behala, e mais dois amigos seus, também garotos do lixão: Gardo (tão amigo que era praticamente de sua própria família) e Rato (que se vê envolvido com a trama mesmo sendo um menino mais afastado dos outros). Não sabemos exatamente suas idades (ou eu é que não me lembro?), mas ficam entre 11 e 15 anos.

Conforme o trecho inicial do post, eles têm uma rotina muito dura no lixão e, ao contrário da crença popular de que se pode achar muita coisa legal por ali, isso nunca acontece. Mas certo dia, Raphael se depara com uma bolsa. Dentro dela, há uma carteira de identidade de um homem, a fotografia de uma menina, uma chave e muito dinheiro. Ele só conta para Gardo, e eles escondem esse achado das outras pessoas. No dia seguinte, a polícia aparece no lixão para procurar a bolsa, que aparentemente contém coisas muito importantes para a resolução de alguma situação. Os meninos negam terem-na encontrado, mesmo mediante uma recompensa bastante alta em dinheiro, e escondem-na na “toca” de Rato, que passa a saber também do segredo. A polícia desconfia de Raphael e fica em seu encalço, enquanto os meninos se envolvem cada vez mais fundo na tentativa de resolução do mistério.

O livro é dividido em quatro partes, e cada parte, em alguns capítulos. Cada capítulo é narrado por um personagem, então ora temos a visão de Raphael, ora de Gardo, ora de Rato, ora de outras pessoas que os conhecem e nos ajudam com o fio da narrativa. Acompanhando essa mudança de visão, para cada capítulo temos uma fonte diferente (a fonte só é a mesma se é o mesmo personagem narrando), o que dá um toque gráfico interessante à edição.

A escrita de Mulligan é direta e a leitura corre rápido, porque queremos saber o que vai acontecer e como as coisas se desenrolarão. O livro mistura suspense, ação e, em determinados momentos, me transmitiu a mesmíssima sensação que tive ao ler Capitães da areia, de Jorge Amado. A empatia que senti pelos meninos do lixão de Behala foi a mesma que pelos meninos de Salvador. Existem momentos de muita ternura na história!

A edição é bem bonita e o projeto gráfico tem a ver com o tema tratado. Meu marido, quando viu a capa e a orelha, falou que o livro parecia “sujo”. Acho que era a intenção, uma vez que se trata de um lixão.

Não fica explícito em qual país se passa a história – a bem da verdade, poderia ser em qualquer país subdesenvolvido: Brasil, México, Índia. Às vezes, até os nomes são ambíguos. Temos, por exemplo, Raphael Fernández, sobrenome que provem de algum país que fala espanhol, e a moeda se chama “peso”; por outro lado, o lugar chamado Behala me remete a algum lugar asiático, entre ouros elementos, como riquixás. Achei muito interessante notar isso, é uma história quase que universal. (Ao final do livro, o autor conta que se inspirou numa experiência que teve nas Filipinas.)

Não sei se este livro foi especificamente escrito para um público jovem adulto (YA) ou infanto-juvenil, mas serve também a esse público. O que é uma qualidade notável num livro, não se restringe a um único tipo de leitor. Gostei muito do livro e recomendo a qualquer um que se interessou pela sinopse! Aliás, este livro é o primeiro que indico num quadro no canal do Redemunhando no Youtube, chamado “Para gostar de ler”:

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OBS.: Existe também um filme baseado neste livro (e a adaptação é excelente, adorei!), e no elenco, estão Selton Mello e Wagner Moura! Mas os destaques são, com certeza, os meninos que interpretam os três protagonistas! Veja abaixo o cartaz e o trailer do filme:

+ info:

Trash / Andrew Mulligan; tradução de Antônio Xerxenesky.
São Paulo: Cosac Naify, 2013.
224 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

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11 comentários sobre “Trash

  1. Oi, Nati! Adorei esse novo quadro, ele foi feita pra pessoas como eu. 😀 Uhaha! Que bom que ainda não vi o filme, agora vou aguarda a leitura do livro pra assistir. Assim que eu pegá-lo começarei a devorar. Ah! Depois lhe mandarei a alista dos livros que tenho e ainda não li, pra você indicar 11 deles. Uhahahahahaha!
    Um enorme beijo, vamos com tudo nessa nova ideia e Parabéns!!! 😀 😉 🙂

    • Oiiiiiii Giovanni!!!!!!!
      Com certezaaa, pensei em vc também, até porque foi vc que insistiu para que eu lesse “Trash” logo! Muito obrigada por isso, gostei muito da leitura!
      Me manda a lista dos seus pra eu ver se já li algum! hihihihihi
      Beijooo, obrigada pelo apoio!!!!!! 😀

  2. Ler essa resenha só demonstra o respeito e carinho que você tem por mim. Aliás, não só por mim, mas também por todos, que assim como eu, buscam saberes que nos auxiliam a vencer nossos dia a dia e a entender o que há no mundo. Obrigado, amiga.

  3. achei o máximo, o quadro, Nati! conheço muitas pessoas que dizem que gostariam de ter o hábito mas que por algum motivo não conseguem engrenar. A escolha faz toda a diferença!
    ….eeeeee que MÁXIMO ter um link pra Amazon que comissona o Redemunhando!! Isso é muito sucesso, gente!! (não sei se faz tempo, não tinha ainda reparado)
    um super beijo!

    • É novo o link para a Amazon, Lala!!! XD
      O dinheiro está difícil, então estou tentando novas estratégias…
      Que ótimoooo que vc gostou do quadro, depois que meu amigo me sugeriu, realmente pensei: “Nossa, isso seria ótimo! Direto tem gente me pedindo indicações de livros legais pra tentar ler mais”! 😀
      Beijoooooo, obrigada pelo comentário, sua linda!!!

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