2015, Ficção, José Olympio, Resenha

O sol é para todos

O sol é para todos, de Harper Lee


“- Porque vocês são crianças e entendem. E também porque ouvi o que aquele ali disse… – ele respondeu, indicando Dill com a cabeça. – Os sentimentos dele ainda não foram corrompidos. Quando crescer mais um pouco, não vai ficar mal e chorar ao ouvir certas coisas. Pode ser que ache as coisas meio erradas, digamos, mas não vai chorar, quando ficar mais velho.
– Chorar por causa de que, sr. Raymond? – perguntou Dill, querendo se defender.
– Por causa do inferno pelo qual algumas pessoas fazem as outras passarem sem nem pensar. Por causa do inferno pelo qual os brancos fazem os negros passarem sem nem sequer pararem para pensar que eles também são gente.
” (p. 250-251)

O Grupo Editorial Record me mandou o livro O sol é para todos como cortesia (não o solicitei). Já havia visto no canal Literature-se que este é um dos livros favoritos da Mell Ferraz. Essa edição nova (e com a capa linda, diga-se de passagem!) veio bem a calhar, já que a edição brasileira antiga estava esgotada.

Não pretendia lê-lo tão cedo, mas a Mell Ferraz resolveu iniciar uma leitura conjunta desse clássico norte-americano (#LendoHarperLee), o Fernando Nery (Filósofo dos Livros) também animou, e resolvi me juntar à empreitada, aproveitando a Maratona Literária de Inverno 2015 (#MLI2015).

Desafio #2 da #MLI2015:  Um livro + um objeto

Desafio #2 da #MLI2015: Um livro + um objeto

Publicado em 1960, o livro se passa por volta de 1935 (pega um período de algumas estações), e conta basicamente episódios da história da família Finch em um condado ao sul dos Estados Unidos: Atticus (o pai), Jem (o irmão mais velho, de cerca de 12 anos) e Scout (a irmã mais nova, com mais ou menos 8 ou 9 anos). A mãe das crianças faleceu quando elas eram muito pequenas, e foram criadas pelo pai e por uma empregada doméstica negra chamada Calpúrnia (Cal). Elas frequentam a escola e adoram brincar na vizinhança – aliás, aprontam bastante!

A primeira parte do livro centra-se num mistério: um vizinho já bastante antigo que é mantido trancado em sua casa pelo próprio pai. Deve ter perto de 30 anos, mas ninguém o vê há anos. Os irmãos, juntamente com um amigo, Dill, sentem-se provocados por sua própria imaginação a descobrirem coisas e tentarem ver o vizinho recluso.

A segunda parte é mais voltada para um julgamento que está ocorrendo no condado: um negro é acusado de violentar uma jovem branca, e Atticus é o advogado designado para defender o réu. Ele passa a ser insultado por defender um negro, o que evidencia a faceta racista da sociedade do sul dos Estados Unidos na primeira metade do século XX. Aliás, esse é provavelmente o aspecto mais destacado do livro. Os capítulos do julgamento são muito instigantes (e, só para vocês saberem, todos os outros também!).

Tratado como um manifesto denunciador do racismo, O sol é para todos realmente faz isso, mas não apenas. É um livro sensível, narrado do ponto de vista da pequena Scout. A linguagem é realmente condizente com uma criança de sua época e de sua localização, e é delicioso ver tudo por seus olhos. Mesmo falando de racismo, não tem um tom pedagógico, de querer ensinar ao leitor. Ensina, mas acredito que essa não tenha sido a intenção principal da autora.

Aliás, o livro contém traços autobiográficos de Harper Lee (o condado é inspirado em sua terra natal, além de seu pai, Atticus Finch – um super personagem! -, o amigo Dill), e saber disso conferiu um tempero a mais à minha leitura.

Além do racismo, o livro pincela cutucadas machistas ao longo da história: a pequena Scout é uma menina fora dos padrões de sua época e ambiente, e é constantemente criticada por familiares e vizinhos (por usar macacão e não vestido, por exemplo, entre outras coisas).

Esta obra é atiçadora de curiosidade, empatia e reflexões, além de ser divertida e sensível. Foi um prazer lê-la.

É um livro encantador, recomendo pelo entretenimento (ficamos curiosos para saber o que vai acontecer!) e pelo “peso” que essa obra apresenta, tendo se firmado como um clássico norte-americano do século XX. Se você não costuma gostar de “clássicos” (essa categoria tão esquisita e heterogênea!), experimente ler este. Acho que vai mudar de ideia.

Clique aqui para comprar O Sol é para todos pela Amazon (comprando por este link, você gera uma comissão para o Redemunhando)

+ info:

O sol é para todos / Harper Lee; tradução Beatriz Horta.
Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.
349 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!

Ficarei muito feliz se você deixar um comentário! (Para fazer isso, é necessário clicar em “comentários”, um pouco abaixo do título do post. E não se esqueça de logar antes de escrever o comentário, para que ele não seja perdido.)

Se gostou da resenha, compartilhe com seus amigos!

Anúncios
Padrão

14 comentários sobre “O sol é para todos

  1. Que legal que gostou do livro, quero muito ler e só ouço coisas positivas sobre ele. Ele esta na minha wishlist desde que li Claros sinais de loucura, é o livro favorito da personagem principal, que sempre faz referências a ele.

  2. Nati, eu tava ansiosa por essa resenha! Hahahahaha. Então, acho que eu já disse isso, mas vou repetir: Comecei vendo o filme. Adoro filmes antigos, e sou bem fã do Gregory Peck. Um dia vi a sinopse, resolvi baixar e assistir. Me encantei demais, fui pra Estante Virtual e comprei o livro. Me encantei mais ainda. É muito fiel ao filme, e acho que a gente se coloca um pouco no lugar da Scout diante de todas essas fantasias e fatos da vida que por conta da idade, a gente pouco compreende. E o que tem por trás do nome original, To Kill a Mockingbird é tão bonito né? Essa nova edição é lindíssima e a tua resenha pra variar ficou ótima!!! Beeeijo Nati!

    • Obaaaa Kat, sua linda!!! Que bom que gostou!!!
      Preciso muito ver o filme, já pedi pro marido baixar pra mim!
      O ponto de vista da Scout é muito legal, achei infantil sem ser bobo!
      Também amei o título (em inglês ficou mais poético e metafórico)!
      Beijoooo, obrigada!
      Nati

    • Oiiii, Amanda!!!! O livro é muito bom mesmo, leia porque vale a pena!!! 😀 Ele é sensível e interessante, a história e os personagens são ótimos!
      Beijos, obrigada pela visita e pelo comentário! ^^

    • Leiaaaaaaa sim, é muito legal!!! Vc vai curtir a Scout! 🙂 A linguagem é bem tranquila nesse, e a história, dá vontade de ler!
      Em inglês, chama-se “To kill a mockingbird”, que é um título beeem mais legal – e tem uma explicação no meio da história! 😀

  3. Oi nate!
    Que legal essa resenha! Tava curiosa sobre que o é esse livro. Ja tinha ouvido falar do titulo, mas sabia somente que é considerado um classico americano. Vai pra minha lista de livros pra ler 🙂
    Bjs

    P.S.
    Desculpa se sair dois comentarios meus. Mas tinha mandado um, mas não tenho certeza se foi rsrs

    • Aiii esse é muito lindo!!!!!!! Acho que vc vai curtir!
      Que bom que a resenha te vez ter vontade de ler! Não sei porquê, especificamente nesta resenha, achei que não consegui passar tudo que queria sobre o livro… mas prefiro falar de menos do que falar demais. Estou dando muito valor para ler os livros com poucas expectativas (e, para isso, quanto menos souber do enredo, melhor!)!
      Obrigadaaa pelo feedback!
      Beijoooo, saudades!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s