2015, Cosac Naify, Ficção, Resenha

Bonsai

Bonsai, de Alejandro Zambra

“No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela, de Emilia. Digamos que ela se chama ou se chamava Emilia e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emilia. No final, Emilia morre e Julio não morre. O resto é literatura:” (p. 10)

Este é o primeiro parágrafo do livro Bonsai. Assim como em A vida privada das árvores, Zambra não esconde nada do leitor, ele já revela o clímax da história e desloca o foco de tensão para o como vai acontecer, e não o quê.

Conhecemos Julio e Emilia, visualizamos fragmentos de seus passados, como se conheceram e como desenvolveram seu relacionamento. Tal relacionamento, inclusive, é o tempo todo pautado pelas leituras que o casal faz: seja em suas conversas, seja na hora do sexo. A literatura também vai ser um ponto de inflexão na história dos dois: o início e o fim. Eles são chilenos, assim como Zambra, e basicamente a narrativa é um curto passeio por flashes de suas histórias pessoais.

Encontrei muitos pontos em comum entre A vida privada das árvores e Bonsai, que foi escrito antes pelo autor (Bonsai foi seu romance de estreia, lançado em 2006). Como já mencionado, o desfecho ser revelado logo de cara, a metalinguagem constante (o narrador tratando do ato de escrever), os aspectos reflexivos/psicológicos, a simplicidade da linguagem, ainda que lírica, e o aspecto efêmero das histórias são todos aspectos que encontrei nos dois livros. Como comentei no outro post, é como se a narrativa apenas “ficasse em mim” durante o tempo da leitura, logo depois ela se esvai, o que torna os livros leves, apesar de bastante reflexivos em alguns aspectos.

O romance trata de separação, da certeza do fim e, é claro, acaba carregando consigo um tom melancólico. Nos deparamos com situações e personagens que têm defeitos, agem de alguma maneira, acontecem de certa forma, mas sem grandes explicações. Foi assim e pronto. Não há o que justifique, as coisas são o que são, e muitas vezes, não têm um porquê.

Gostei mais deste do que de A vida privada das árvores por um motivo: em A vida privada…, o desfecho me decepcionou. Não aquele que já tínhamos ideia que ia acontecer, porque o autor nos conta de início, mas o que vem depois. De qualquer maneira, a linguagem de ambos é muito sensível e contundente, além de serem romances curtos e rapidíssimos de serem lidos! Literatura “expressa” de qualidade e profundidade.

(Uma resenha rápida para um livro rápido.)

Se você gosta de vídeos literários, recomendo o 3 X Zambra, das meninas do Livrogram, em que são tratados os três livros do autor publicados no Brasil pela Cosac Naify.

 + info:
Bonsai / Alejandro Zambra; tradução Josely Vianna Baptista.
– São Paulo: Cosac Naify, 2014.
91 páginas.

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classificação: 4 estrelas
grau de dificuldade de leitura:
FACIL

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12 comentários sobre “Bonsai

  1. Olá, Nati! Nesse livro o autor parece não trazer nada de novo, o diferencial está na forma como ele conta. Parece um simples relato de um relacionamento. Agora só falta o “Formas de voltar pra casa”, vai ler quando? Tenho eles aqui, e tentarei ler em breve. Bjos! 🙂

    • Oieeee, Giovanni!!!! 😀
      Sim, parece que esses três são uma trilogia, têm coisas muito parecidas entre si. Se não me engano, pelo vídeo das meninas que linkei aí no final do post, o “Formas de voltar pra casa” é o mais diferente deles.
      Mas gostei mais do “Bonsai” que do “Vida privada das árvores”, pelo final. Quero que vc leia e me diga o que acha também!
      Por enquanto, não vou pegar o livro, mas já tenho aqui em casa. Não costumo emendar livros de um mesmo autor, para que eu não me canse do estilo, não misture as histórias, etc.
      Beijos, obrigada pelo comentário!

  2. Ai, Nati. Eu não sei se já disse aqui, mas eu tenho um certo pânico de filmes/livros que sei que tem final triste. Simplesmente não funciona comigo. E eu acho que se eu não soubesse nada sobre esse livro, fosse ler e me deparasse com aquele primeiro parágrafo, ia abandonar na mesma hora! Kkkkk. Sou frouxa mesmo, pra essas coisas. E o tom melancólico, me incomoda um pouco, assim como a falta de justificativas, de se acomodar mesmo com a falta de respostas. É assim e pronto. Nossa, isso me causa um transtorno imenso, quase que uma revolta. Sou muito inconformada com a falta de respostas, argumentos e ter que me contentar com algo sem explicação. De qualquer forma, acho que essas resenhas são válidas justamente por isso, pra irmos tendo uma prévia do que nos esperaria, caso escolhêssemos tal livro pra leitura :} Beijão!

    • Oiii, Kat! 😀
      Justo, não gosta, não gosta, né.
      Esse é bem melancólico mesmo, aquele negócio de sentir saudade de um tempo ou de uma pessoa que não são nem eram perfeitos, mas eram bons, etc.
      Se não é pra você esse estilo, não leia…!
      Beijãoooooo! Obrigada pelo comentário!

  3. Acho que não tô muito na vibe de ler algo melancólico. ahhaah Mas definitivamente, vou dar uma olhada nas suas resenhas quando estiver com mais tempo e ver se acho algo novo pra mim. Quero ler algo bem diferente do que estou acostumada.

  4. danprestes disse:

    Oi, Nati. Sabia que ias gostar do “Bonsai”. Hehehe
    Então, eu nem acho ele uma leitura fácil, falando da sua classificação. Não pela escrita ou por ser um texto sem fluidez, mas pela densidade. Isso faz com que eu demore na leitura, o que também acho legal, porque o texto é gostoso de ser lido. Agora tens que ler o “Formas de voltar para casa” e providenciar o novo livro que tá sendo lançado no final desse mês “Meus documentos”. Ah, eu também prefiro o “Bonsai”, mas em comparação ao “Formas”, ainda fico com o “A vida”. Maaaas, dos três, Bonsai é meu preferido. rs
    Bjo. 😉

    • Oiiiii, Dan!!!
      Gostei bastante mesmo! Só não fui fisgada pelo Zambra como vc. Eu vejo toda essa densidade de que vc fala, mas ela não me traga da mesma maneira que outros autores. Algo pessoal mesmo, questão de gosto!
      Agora só falta o “Formas” e “Meus documentos” (é romance?). Tem também um chamado “No leer”, não sei se é de crônicas, mas me interessou bastante. Já ouviu falar?
      Beijos, Dan! Obrigada pelo comentário!

  5. Mylene disse:

    Nù! É a minha cara!! Se o autor tem a coragem de contar o “final” assim, é porque provavelmente ele se banca durante o restante do romance. Quando li a forma como ocasal se relaciona e a tal da “certeza do fim” já me deu vontade de ler.. Muito boa resenha!

    • Boa pergunta… o livro não apresenta uma explicação direta pra isso. Tem gente que diz que é porque o livro é curto (pequeno como um bonsai), outros dizem que é porque é como se o autor estivesse comparando o ato de escrever um livro com a poda de um bonsai. Enfim, nada explícito, só especulações. O autor curte um tema arbóreo, né?
      Achei uma possível explicação em um outro blog, chamado Maria Escreve: “o Bonsai é um bom exemplo do que pode ser um romance, na acepção literária da palavra, na sua forma mais reduzida. (…) o livro é um loop metalinguístico eterno, e tem esse personagem que é escritor, que estuda sobre bonsais, que escreve um livro que se chama bonsai dentro do livro que utiliza as técnicas de bonsai para se fazer reduzido, porém completo, como a arvorezinha.”

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