2014, Ficção, Graphic MSP, Panini, Quadrinhos, Resenha

Astronauta: magnetar

Astronauta: magnetar, de Danilo Beyruth

Alguém reconhece esse personagem? É o Astronauta, criado por Mauricio de Sousa.

Em 2009, o quadrinista Maurício de Sousa (dispensa apresentações!) e o editor Sidney Gusman decidiram comemorar os 50 anos da Turma da Mônica realizando algumas edições especiais dos quadrinhos a fim de homenagear Maurício e sua obra. Para isso, chamaram alguns ilustradores brasileiros para fazerem releituras de seus personagens e historinhas. Foi uma série de quatro livros chamados MSP50*, que contaram com artistas como Laerte, Jean Galvão, Fábio Moon, Gabriel Bá, Angeli, Spacca e Ziraldo, apenas para citar alguns (veja abaixo algumas releituras).

*MSP é a abreviação de Maurício de Sousa Produções.

A partir do alto à esquerda: Chico Bento e Rosinha no traço de Lélis; o Astronauta por Jean Okada; Cebolinha e o Louco na versão de Jean; Cascão, Magali, Cebolinha e Mônica homenageando os Beatles por Daniel Brandão; e duas Mônicas diferentes vistas por Fido Nesti e Fernando Gonzalez

Este projeto interessantíssimo ganhou continuação (MSP+50, em 2010) e um novo propósito: divulgar novos e não tão conhecidos talentos dos quadrinhos brasileiros. Em 2011, com os mesmos objetivos, foi lançado o MSP Novos 50. Houve, em 2012, o lançamento de Ouro da casa, releituras feitas por funcionários do Maurício de Sousa Produções (inclusive o próprio criador dos personagens).

E em 2012-2013, chegamos, finalmente, ao Graphic MSP, a série de livros em quadrinhos (também conhecidos como graphic novels) mais recente, da qual o Astronauta: magnetar é o primeiro número. Os outros, os quais também pretendo resenhar, são: Turma da Mônica – Laços, por Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi; Chico Bento – Pavor Espaciar, por Gustavo Duarte e Piteco – Ingá, por Shiko. Já foi lançado também o Bidu – Caminhos, por Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho, parte da segunda “leva”. E já foram anunciados outros títulos, como: Papa-Capim, por Marcela Godoy e Renato Guedes; Turma da Mata, por Roger Cruz, Davi Calil e Artur Fujita; Penadinho, por Paulo Crumbim e Cristina Eiko; Astronauta – Singularidade, por Danilo Beyruth e Cris Peter; Turma da Mônica 2, por Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi e
Louco, por Rogério Coelho. Resumindo, um prato cheio para quem, como eu, é fã dos personagens de Maurício de Sousa!!!

Devidamente apresentados os títulos, podemos partir para as impressões de leitura da primeira graphic novel: Astronauta: magnetar.

É a história de uma missão de Astronauta cujo objetivo é estudar um magnetar, fenômeno raro e ligado a estrela de nêutrons (astrônomos, me corrijam se eu estiver errada! Estou meramente me baseando no que os quadrinhos explicaram e, pra ser sincera, tecnicamente, não entendi muita coisa). É obviamente carregado de magnetismo, como o próprio nome sugere. Não vou contar mais para não dar spoilers, mas algo acontece nesse magnetar, que cria problemas para Astronauta e é o motor da história.

Astronauta nunca foi meu personagem preferido da Turma – era o de alguém?! – e, na verdade, às vezes eu pulava suas historinhas. Achava-as um pouco paradas e meio doidas, por conta dos encontros com extraterrestres e tudo o mais. De qualquer forma, a graphic novel me agradou. Não é minha história preferida, mas me interessou durante a leitura.

Adorei a ideia de reinventar personagens “secundários” da turma da Mônica, dar-lhes novos ares e nova perspectiva. Mas o mais impressionante é como os autores conseguem manter as essências desses personagens (falo no plural pois já estou lendo os outros números)!

Astronauta mantém além de elementos visuais similares ao dos gibis (por exemplo, o formato e a cor de sua nave, aquela bola laranja enorme), também suas temáticas: a questão da saudade de casa e da Terra, da solidão e da pequenez humana frente ao universo, de escolhas e dilemas, de relacionamentos humanos, da curiosidade científica e da necessidade de resolver problemas (o Astronauta é um super engenheiro, e eu nunca havia atentado para isso!). Aliás, são todas temáticas que só percebi agora que sempre estiveram presentes no Astronauta (ah, a velhice maturidade!).

Outra surpresa agradável é que, ao final das histórias, existem algumas páginas de “Extras”, com rascunhos dos artistas e um pouco da história do personagem. Por exemplo, de vez em quando me esqueço de que o Astronauta é brasileiro, e esse dado foi relembrado pelos “extras”. E uma curiosidade que eu não sabia é que o nome dele é Astronauta Pereira (hahahahaha!)!

As ilustrações são muito bonitas, num estilo um pouco agressivo e cheio (as páginas são bem ocupadas com desenhos de rochas espaciais, botões de controle, explosões). Esses traços que defini como um pouco “agressivos”, juntamente com a escolha de cores, colaboram para um estilo de ficção científica. Predominam tons azuis, laranjas e rosas. Veja algumas das ilustrações:

…E minha página preferida:

Não é meu estilo favorito de histórias, mas é uma edição muito bem feita e nota-se a bela e respeitosa homenagem feita a esse personagem clássico das nossas infâncias! Recomendado pra quem curte os quadrinhos de Maurício de Sousa!

Aguardem resenhas das próximas histórias da Graphic MSP!

 + info:
Astronauta: magnetar / Danilo Beyruth
– Barueri, SP: Panini Books, 2014.
82 páginas.

classificação: 3 estrelas
grau de dificuldade de leitura: FACIL

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10 comentários sobre “Astronauta: magnetar

  1. Eba, resenha de turma da Mônica é comigo mesmo! Pra falar a verdade, só li o MSP50 e vi algumas coisas perdidas do + e do novos, mas sempre quis dar uma boa lida em tudo.
    Em relação ao Astronauta, você disse a palavra-chave: maturidade. As estórias dele eram mais adultas, filosóficas e sentimentais (assim como as do Horácio) – o que não é exatamente o estilo preferido das crianças. Eu não chegava a pular as estórias dele (era muito metódico com livros, tinha que ler na sequência…aliás, acho que ainda sou), mas muitas vezes achava chato e/ou não entendia direito. Depois de adulto (sim, eu continuei lendo Turma da Mônica) eu passei a observar melhor esses aspectos que você citou, principalmente o lado engenheiro / problem-solver do Astronauta.
    O estilo dessa HQ é bem interessante e lembra um pouco o de editoras de super-heróis, principalmente a Marvel dos anos 90 🙂
    Fiquei interessado, parece legal

    • Ebaaa obrigada pelo comentário!
      Realmente acho que esse vc vai gostar (aliás, todos os do Graphic MSP! Já li mais um).
      O que é engraçado é que do Horácio eu gostava, mas do Astronauta, não (às vezes meu lado metódico também vencia e eu lia, meio a contragosto). Mas agora vi que é uma proposta muitíssimo interessante, o isolamento e a confrontação com nossa humanidade e pequenez frente ao universo e à tecnologia.

  2. Ana Carolina disse:

    Tô super ansiosa para ler as outras resenhas!
    Qdo vi as revistas na sua casa, pirei nas ilustrações e edições! Além de super bem feitas, são um arraso! Lindas!

    O Astronauta não era um dos meus personagens favoritos tbm. Curtia o Horácio, embora não morresse de amores por ele. Preferia a boa e a velha turma.
    Não chegava ao pto de pular as histórias deles, mas devo admitir que fazia uma leitura bem por cima, pra ver se próxima história era de algum dos meus favoritos.

    • Anaquinhaaaa, obrigada pelo comentário!
      Realmente, tenho percebido que as edições nacionais de quadrinhos estão com uma qualidade muito alta, e o Maurício sempre tem muito cuidado com os personagens, né? Uma delícia reler tudo isso!
      (Em geral, eu também preferia a Turma aos personagens secundários; uma das graphic novels é aquela “Laços”, logo posto uma resenha. Meu preferido era o Cascão!)
      Beijos!

  3. Tatiana disse:

    Adorei a resenha! Gosto de ver sua diversidade de estilos de livro. Assim a gente não cansa, né? Quanto à turma da Mônica somos viciadas!! A fofó sempre comprava pra gente e até chegamos a ganhar uma assinatura, lembra? Mas do astronauta eu nem me lembrava como era ele, quando você me falou deste livro. Pulava as histórias e mesmo com meu lado engenheiro não me amrcou. Achei bacana a ideia de releitura das obras com outro olhar. Acho que hoje em dia vou gostar mais das histórias dele e deste livro. MAs estou louca pra ver do Papa Capim!!! hahahhaha Esse nome é muito bom… e eu adorava a floresta.

    • Tateka, obrigada pelo comentário!!!
      Esse negócio de ter o blog está me fazendo bem pois, além de ler mais, eu ainda leio coisas muito diferentes! E estou redescobrindo o mundo dos quadrinhos, que não preciso ficar presa a mangás ou heróis (DC / Marvel), tem coisas muito boas por aí!
      Eu AMAVA nossa assinatura da Turma da Mônica, o único problema é que as revistinhas chegavam todas de uma vez e acabavam muito rápido, aí as próximas, só no outro mês! 😦
      E a gaveta no banheiro da casa da fofó, cheiaaaaaaaaaa de revistinhas da Mônica, adorava!!!
      Também curto o Papa-Capim, e agora estou ansiosa por todos os outros lançamentos! 😛
      Bexim!!!

  4. Mylene disse:

    Legal este “projeto”. A propósito, e nada a ver (rs!), nosso primeiro astronauta é Pontes, eles acertaram a primeira letra…bobeira! Estou curiosa p/ ver os outros personagens.

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