Ficção, LeYa, Política, Quadrinhos, Resenha

Rei Emir Saad

Rei Emir Saad: o monstro de Zazarov, de Andre Dahmer

Tive a mais agradável surpresa do mundo quando, voltando para casa, passei na caixa de correio para pegar alguma conta que estivesse por ali e encontrei um envelope pardo endereçado a mim. Meu amigo Maurício gentilmente me enviou essa joia que são os quadrinhos de Dahmer. Amei a surpresa, Maurício! Muito obrigada!!!

André Dahmer é conhecido por suas tirinhas dos Malvados, sobre política e cotidiano. Mas o desenhista brasileiro tem um humor extremamente ácido. Lembro-me de que quando me deparava com as tirinhas dos Malvados na Folha de S. Paulo há alguns anos, não gostava muito – ou melhor, não entendia nada.

Aos poucos, fui compreendendo o sarcasmo transbordante do autor, e me divertindo com ele cada vez mais.

O personagem Emir Saad é um ditador sanguinário. Simples assim. Não tem vergonha alguma de cometer atrocidades, genocídios, torturas (como bem mostra a capa do livro!), nem remorso ou peso na consciência. Ele é tão cru que chega a ser absurdo, e isso é hilário (tem uma tirinha em que ele quer legalizar a “cheiração” de calcinhas!!! Hahahaha! – veja abaixo).

O livro conta a história de Emir, desde criança (já com tendências ditatoriais e assassinas), até a velhice, apesar de não seguir propriamente uma cronologia (lembrando que é uma coletânea de tirinhas).

O cuidado editorial com o livro é excelente, material de boa qualidade, fora a estética: colorida, com variação de cores das páginas, diferentes diagramações de tirinhas, verso da capa todo amarelo, orelha do livro cheia de caveirinhas (prolongando a capa)… tirando o conteúdo altamente provocativo (se você for sensível demais) e umas duas tirinhas repetidas, é um livro lindíssimo.

emir_capa e orelha

emir_coração

 André Dahmer aparece naquele documentário curto que eu sempre recomendo aqui no blog (e sempre que tiver a ver, vou recomendar!), O riso dos outros, sobre os limites do humor (a partir de que ponto o humor torna-se ofensa, discriminação, discurso de ódio?). Aparecem também Antonio Prata, Jean Wyllys, Rafinha Bastos, Danilo Gentili, Fábio Rabin, Fernando Caruso, Laerte Coutinho, entre outros. Você não vai se arrepender de assistir (contém palavrões e conteúdo sexual, ok?).

E é justamente por Emir ser a personificação da atrocidade e da crueldade, enxergamos absurdos muitas vezes reais que ocorrem por aí como se não fossem nada. Emir tem ZERO apreciação pela vida humana (do outro), entra em guerras (muitas delas são guerras pela paz, deixe-se bem claro) apenas para se divertir ou para movimentar a economia, manipula as pessoas com seus discursos e com a mídia, e por aí vai. Nada tão longe da realidade, e é justamente o elemento que assusta. Poderia ser uma simples ficção, mas não é. É a realidade pintada com cores mais fortes, berrantes. A reflexão sobre nossas realidades é inevitável; a arte serve (também) para isso.

É meio incômoda a sensação de ter lido uma tirinha aparentemente absurda dessas em um dia, e no dia seguinte, ler notícias à altura do Bom Emir Saad (é assim que ele é chamado por seus súditos): ditador que quer permanecer no poder mesmo após 27 anos de governo em Burkina Faso; extrema-direita que vai à av. Paulista pedir impeachment e intervenção militar após a reeleição de Dilma Rousseff, retomando tempos ditatoriais (esse vídeo é assustador.).

SUPER recomendado (e dá pra ler em qualquer lugar, a qualquer hora, já que são tirinhas separadas e o livro não é muito grande)!!!

 + info:
Rei Emir Saad: o monstro de Zazarov / André Dahmer.
– São Paulo: LeYa / Barba Negra, 2011.
96 páginas.

classificação: 5 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

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8 comentários sobre “Rei Emir Saad

    • Esse cara é muito bom, Karla, tem um humor crítico!
      E o mais engraçado é que ele transita entre o cômico e o trágico (a gente ri e depois pensa: “gente, isso é um absurdo!”), o leitor não sabe se acha engraçado ou se fica assustado! Hahahaha!
      Beijos!!

  1. Tatiana disse:

    Ontem assisti um filme que também dá um tapa na cara de todos de uma forma escrachada: Relatos Selvagens. Chega até uma violência extrema, mas muito bom o filme. Me lembrou a resenha, pois também faz parte do nosso cotidiano, só que no ocidente.

    Gostei da resenha, mas é o que você falou: limiar do humor. Você não sabe se acha boa a crítica ou se chora.

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