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Minha breve história: Stephen Hawking

Minha breve história, de Stephen Hawking

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“Quando eu tinha vinte e um anos e contraí esclerose lateral amiotrófica, achei muito injusto. Por que aquilo tinha de acontecer comigo? Na época, pensei que minha vida tivesse terminado e que nunca concretizaria o potencial que acreditava possuir. Mas hoje, cinquenta anos depois, estou bastante satisfeito com minha vida. Fui casado duas vezes e tenho três filhos lindos e bem-sucedidos. Tive sucesso na minha carreira científica: acho que a maioria dos físicos teóricos concordaria que minha previsão de emissão quântica de buracos negros está correta, embora ela ainda não tenha me valido um Prêmio Nobel, porque é muito difícil de verificá-la experimentalmente. Por outro lado, ganhei o ainda mais valioso Fundamental Physics Prize, que me foi dado pela importância teórica da descoberta, apesar de ela não ter sido confirmada por experimentos.
Minha deficiência não foi um obstáculo sério no meu trabalho científico. Inclusive, acho que de certa forma foi uma vantagem: não tive de dar palestras ou aulas a estudantes de graduação, nem precisei participar de tediosos comitês que consomem muito tempo. Dessa forma, pude me dedicar por completo à pesquisa.” (p. 135-136)

Stephen Hawking é o famoso físico / astrônomo inglês que ocupa a posição que já foi de Isaac Newton na Universidade de Cambridge, uma das mais renomadas cátedras de matemática do mundo. Minha breve história é um livro autobiográfico que narra desde a infância do físico até suas linhas de pesquisa.

Dividido em partes, o capítulo “Infância” narra um pouco da vida de criança de Hawking, as escolas que frequentou, bairros em que morou e um pouco sobre seus pais e irmãos. Conta umas poucas memórias de menino, mas nada parecido com o engraçado e sentimental Nu, de botas (Antonio Prata). Hawking é muito mais objetivo, como era de se esperar.

Os capítulos “St. Albans”, “Oxford”, “Cambridge”, “Ondas gravitacionais”, “O Big Bang”, “Buracos negros” falam sobre sua trajetória escolar e acadêmica, algumas bolsas que ganhou e o caminho de pesquisas e acasos que fez com que ele chegasse àqueles que foram os ponto de destaque de sua carreira. Por exemplo, o jovem estudante de física poderia ter optado por um campo de pesquisa em voga na época, mas que hoje já é ultrapassado, mas escolheu um tema negligenciado e acabou se destacando por isso.

Nesse meio-tempo, acompanhamos umas poucas passagens a respeito de seu primeiro casamento, nascimento do primogênito e descoberta e evolução de sua doença, esclerose lateral amiotrófica (ELA, recentemente famosa na Internet pelo desafio do balde de gelo), em que a pessoa vai ficando “desajeitada” e perdendo os movimentos. Em geral, a paralisia atinge órgãos vitais e as pessoas com ELA acabam morrendo após algum tempo (não foi o que aconteceu a Stephen Hawking, nascido em 1942, diagnosticado aos vinte e poucos anos e vivo até hoje). Segundo o físico, a doença o motivou a fazer algo de bom para melhorar a vida das pessoas, o que o levou a pesquisar com mais afinco.

Nos capítulos “Caltech” e “Casamento”, acompanhamos um pouco mais da trajetória pessoal do autor e seus relacionamentos, apesar de serem capítulos relativamente curtos. Este último explica também como funciona o mecanismo que lhe dá voz (o aparelho da voz computadorizada).  “Uma breve história do tempo” fala como ele veio a escrever o livro para um público mais abrangente que não só o acadêmico, o que deu muito trabalho (por conta de adaptação de linguagem e explicação de conceitos); “Viagem no tempo” revela como seria possível uma viagem no tempo, dadas certas condições que eu obviamente não compreendi. Do capítulo “Tempo imaginário” não entendi nadinha mesmo (desculpem se estou sendo repetitiva! Hahaha). Em “Sem fronteiras”, o capítulo final, Hawking faz uma retrospectiva otimista de sua vida (coloquei um trecho no início do post).

Meu cunhado me emprestou o livro enquanto eu estava em São Paulo (obrigada!) e é uma obra de leitura extremamente rápida: a linguagem é fácil e muito objetiva, a diagramação tem margens largas e letras e espaçamentos grandes, e tem poucas páginas. Em alguns momentos, quando o astrofísico fala de teorias e linhas de pesquisa, fiquei meio perdida (mas também não fiquei tentando entender, precisaria de ajuda!) e a leitura tornou-se um pouco mais lenta, mas nada que tenha atrapalhado.

Surpreendentemente, no livro aprendemos que o autor não era um estudante muito dedicado em seus primeiros anos (apesar de sempre muito inteligente, chegou a receber dos amigos o apelido de Einstein). Achava Física uma matéria chata na escola, pois a considerava muito fácil (ok, nesses momentos ele soa arrogante e vaidoso, onde já se viu achar Física a matéria mais fácil?!). Inclusive, ele nos conta que em sua graduação, era estimulada entre os colegas a ideia de que não se deveria estudar: se você fosse bom de verdade, se formaria sem precisar se esforçar muito. Me fez pensar sobre alguns conceitos extremamente equivocados do sistema escolar (não é só no Brasil que essas noções erradas aparecem, apesar de muitos gostarem de espalhar tal mito).

Sem dúvida é uma história inspiradora, mas como obra literária, deixa um pouco a desejar (é “seca”, objetiva demais para o meu gosto). Ah, Hawking tem um senso de humor visível, às vezes irônico e sempre bastante nerd (várias piadas e pagamentos de apostas com outros amigos físicos não entendi. Mas ri mesmo assim, porque deve ser hilário! Hahaha)! O livro vem com algumas fotografias de Hawking (infância, juventude, vida adulta, etc.). Só mais um adendo: achei a fotografia da capa muito interessante, me lembrou um pouco “A liberdade guiando o povo” (E. Delacroix) e “A balsa de Medusa” (T. Géricault), não pela temática, mas pelo destaque da figura de Hawking.

“A liberdade guiando o povo”, de Eugene Delacroix

“A balsa de Medusa”, de T. Géricault

Não foi um dos melhores livros lidos no ano, recomendo apenas a quem queira conhecer melhor Stephen Hawking e seu estilo de escrita. Ah, convém lembrar que não sou a maior fã de biografias do mundo.

 + info:
Minha breve história / Stephen Hawking; tradução Alexandre Raposo, Julia Sobral Campos.
– Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.
142 páginas.

classificação: 2 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

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8 comentários sobre “Minha breve história: Stephen Hawking

  1. É uma história de grande superação, mas pelo que eu li na resenha, ele passa uma prepotência desde a infância e que parece não se esvanecer com a doença. Não querendo dar uma de psicologa, este “complexo de superioridade” soa como um escudo…sinceramente parece chato! rs!!
    Mylene

  2. Eu vi que vai sair um filme dele no cinema. Chorei só de ver o trailer. Mas acho que o tom é totalmente diferente da biografia! Mesmo assim é interessante ler sobre a vida dessas figuras. Tem vários que quero conhecer melhor!

    • É isso mesmo Tatá (estou logada no seu computador também??? Agora tem três de mim? 😛 ), vai sair o filme do primeiro casamento dele! Também me emocionei no trailer, mas realmente está super romanceado se comparado com a escrita seca do Hawking!

  3. Victor disse:

    Muito legal a resenha! O que mais me surpreendeu no livro foi a paixão dele em fazer o que gosta. Nunca colocou a ELA como uma desculpa, mas apenas parte de sua vida. É verdade que o texto é bem direto, e isso achei algo muito interessante no livro pois mostra como o Stephen Hawking realmente falaria! Além disso, muitos momentos me lembraram The Big Bang Theory.

    • Obrigada, Vi!!!!!! Tudo isso que vc falou eu também concordo! A ELA aparece como uma parte da vida dele e, mais do que um empecilho, uma grande motivação para a excelência. Ele tem um senso de humor meio TBBT mesmo (mesmo eu não tendo entendido algumas piadas! Hahahaha) e, sobre a linguagem seca, depois eu fiquei pensando: “Deve ser difícil escrever um livro super poético se vc não tem movimentos nas mãos e tal”…
      Obrigada pelo comentário!!!

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