2014, Ficção, Paralela, Resenha

A vida do livreiro A.J. Fikry

A vida do livreiro A.J. Fikry, de Gabrielle Zevin

“No Natal e nas semanas seguintes, Alice Island ferve com a novidade que o viúvo / livreiro A.J. Fikry pegou uma criança abandonada para criar. É a maior história digna de fofoca que Alice tem já faz um tempo – provavelmente desde que o Tamerlane foi roubado. A cidade sempre o considerara esnobe e frio, e parecia inconcebível que tal homem adotaria um bebê simplesmente porque foi abandonado em sua loja. O floricultor conta uma história sobre ter deixado um óculos de sol na Island Books e voltar lá menos de um dia depois e descobrir que A.J. tinha jogado fora. ‘Ele disse que não tem espaço na loja para achados e perdidos. E isso é o que acontece com um belo Ray-Ban vintage!’, conta o floricultor. ‘Não dá pra imaginar o que vai acontecer com um ser humano.’ Além disso, por anos, A.J. vinha sendo convidado a participar da vida da cidade – patrocinar times de futebol, promover vendas de bolos na loja, comprar anúncio no anuário do colegial. Sempre recusava e nem sempre de maneira educada. Podiam apenas concluir que A.J. tinha se sensibilizado depois da perda do Tamerlane. ” (p. 55)

A autora, Gabrielle Zevin (nascida em 1977), é nova-iorquina, e aparentemente começou a escrever muito jovem (sei quase nada sobre ela, e também não quis pesquisar muito. Se estiver interessado, você pode olhar a página dela na Wikipedia).

Iniciei a leitura deste livro sem saber nada sobre ele – a não ser que é a história de um livreiro, dã, e que rolou um marketing forte do livro por aí. Comprei por acaso (gostei da capa), e decidi lê-lo depois da trilogia Divergente, a qual me deixou um pouco melancólica após seu término (ressaca literária, vocês me entendem!).

Então, tratando do óbvio, vamos à sinopse (aliás, o trecho que escolhi como inicial é ilustrativo de boa parte da história): um apaixonado por livros chamado A.J. Fikry vive na pequena e afastada cidade de Alice Island, onde é proprietário da única livraria dos arredores. Uma livraria que anda abandonada e extremamente sem graça. Isso porque reflete a personalidade de Fikry: é um homem de meia-idade (39 anos), amargurado pela morte de sua linda, alegre e amigável esposa em um acidente pouco tempo antes, e sem tato social. Ou melhor, faz questão de ser antissocial. Uma representante de editora, Amelia, sente isso na pele em seu primeiro encontro profissional com Fikry, mas não desiste.

Certo dia, A.J. embebeda-se em sua própria casa e, no dia seguinte, encontra tudo arrumado e um valioso livro, sumido – é o Tamerlane citado no trecho inicial, uma obra rara e que poderia ser vendida por algumas centenas de milhares de dólares, e que o livreiro contava como sua aposentadoria. Vai à delegacia relatar o roubo e ali conhece o policial e delegado Lambiase, que se tornará seu amigo. Dias depois, outra surpresa: ao voltar para a livraria depois de um pouco de exercício, encontra entre as escassas estantes de livros infantis ilustrados uma garotinha de dois anos, chamada Maya, juntamente com um bilhete de sua mãe. Abandonada, Maya é acolhida temporariamente por Fikry, mas ele se apega à garotinha, que é bonita e muito esperta (esperta demais para o meu gosto! Sabe a ordem alfabética aos dois anos, é possível isso?).

Aos poucos, as vidas dos personagens vão se entrelaçando, e a história se desenvolvendo. Descobrimos o que acontece a Maya, ao Tamerlane, a Fikry.

A escrita é bem fácil de se entender e o livro é curto; os trechos iniciais de cada capítulo (como se fossem anotações de A.J. sobre algum livro), entendemos melhor quando terminamos o dado capítulo, e ainda mais quando acaba o livro.

Apesar de a diagramação ser bonita (páginas amareladas, grossinhas, e com margens de bom tamanho), tem grandes problemas de revisão, palavras em tempo verbal errado, etc., coisas que incomodam bastante.

Sendo muito sincera, achei a obra um pouco boba. Tem mais potencial do que realizou; houve momentos em que pensei que a história daria uma reviravolta, mas nada que tenha me empolgado, infelizmente. Faltou explorar mais os personagens, além de Fikry: a excêntrica e encantadora Amelia e a inteligentíssima Maya, por exemplo, ficaram de lado, apenas orbitando a vida do livreiro. Sei que este é o título do livro, mas ser apenas a vida do livreiro tornou o texto pobre, em minha opinião.

Sinto não ter muito a falar sobre a obra (rasinha demais na minha opinião); talvez este seja o primeiro livro do ano com o qual me decepcionei.

+ info:
A vida do livreiro A. J. Fikry / Gabrielle Zevin; tradução Flávia Yacubian.
– São Paulo: Paralela, 2014.
186 páginas.

classificação:  2 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL

Obrigada pela leitura!
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Hoje tenho um blog literário para indicar, chama-se Livro Arbítrio (http://livroarbitriodotco.wordpress.com/)! Tem boas indicações, boas resenhas, e não tem foco em literatura infanto-juvenil ou jovem adulta, coisa rara hoje em dia! 🙂

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