2014, Ficção, Filme, Objetiva, Resenha, Séries e trilogias

Trilogia Fronteiras do Universo

 Trilogia Fronteiras do universo, de Philip Pullman

 

*ATENÇÃO: esta é uma resenha longa pois fala sobre três livros e no final, faço um comentário sobre o filme A bússola de ouro. E tem várias ilustrações bonitas.

Mantive a grafia apresentada na edição do livro, que contém muitas palavras com letra maiúscula.

Philip Pullman é um escritor britânico que nasceu em 1967 e continua vivo até hoje (agosto de 2014). Sua história está ligada à Universidade de Exeter em Oxford, onde ia para ler e prestar serviços temporários, e depois veio a tornar-se professor de crianças e na Universidade de Westminster (Londres). Ele eventualmente deixou o magistério para tornar-se escritor em tempo integral. Ganhou diversos prêmios e escreveu esta série de que tratarei, chamada Fronteiras do universo (no original em inglês, His dark materials). A trilogia fantástica fez muito sucesso pelo mundo e Pullman recebeu prêmios importantes por ela. Existem outros livros, além da trilogia, que seguem sua mesma lógica, cujos títulos em inglês são: Lyra´s Oxford (2003), Once upon a time in the North (2008) e The Book of Dust (ainda não lançado). Este último contará também com Lyra como protagonista e tratará da origem do Pó, a história da Faca Sutil e esclarecimento sobre alguns personagens da trilogia e seus relacionamentos [as informações sobre os demais livros foram retiradas do blog Epílogo].

https://i0.wp.com/media.npr.org/assets/img/2012/11/06/philip-pullman-credit-kt-bruce_vert-2ec015198b3eba652b64e6a9e32b40488efbd6f7-s6-c30.jpg 

As sinopses de cada livro serão descritas a seguir, separadamente. Ao final, faço um apanhado com comentários e minha opinião sobre a série em geral.

Volume 1: A bússola dourada

Este primeiro volume se passa em um mundo parecido com o nosso (inclusive geograficamente), mas não igual. Conta a história de Lyra, uma garota curiosa e corajosa que cresceu na Universidade de Oxford, mais precisamente na faculdade de Jordan. Cercada de eruditos homens Catedráticos e política, Lyra cresceu sob a tutela desses homens – especialmente do Reitor -; seu tio Lorde Asriel a vinha visitar de vez em quando, e também tratar de política. Lyra é moleca, vive brincando pelos telhados e porões da Jordan, mesmo isso não sendo permitido, com seu amigo e ajudante de Cozinha, Roger. Tem rivalidades com crianças de outras vizinhanças e não foge de uma briga (não raro, provoca-a). A garota, que ainda não atingiu a puberdade, está mais preocupada em brincar do que com a política que a rodeia no mundo dos adultos – mas logo ela se verá envolvida em uma trama complexa envolvendo tudo isso.

Lyra e Roger brincando pelos telhados da Jordan

Neste mundo descrito por Pullman, todas as pessoas são acompanhadas por daemons, seres que assumem a forma de animais. Os daemons representam a “alma” de cada pessoa, um pouco de sua personalidade, a sua consciência (podemos dizer que o daemon de Pinocchio é o Grilo Falante!). Sendo assim, os daemons das crianças são ainda indefinidos; podem modificar sua forma. Por exemplo, Pan (Pantalaimon, daemon de Lyra) inicia o livro com um formato de mariposa, para melhor poder se camuflar numa sala na penumbra (já que ele e Lyra estão explorando um local proibido); depois, transforma-se em arminho para dormir confortavelmente. Dependendo inclusive da sua profissão (dom?), seu daemon toma alguma forma. Sabemos que os daemons de criados (mordomos, empregados domésticos) tendem a ser cães – dependendo da “categoria” de servente, o cão seria também “superior”, de uma raça mais valorizada. Esses seres falam e têm expressões corporais muito transparentes, de modo que podemos ver reações internas das pessoas pelos comportamentos de seus daemons, nem sempre controláveis.

Algo interessante que me chamou atenção foi a denominação dada a muitos adultos no início do primeiro livro: o Administrador, o Reitor, o Capelão, o Bibliotecário, a Governanta. Quase como se não tivessem rostos, fossem entidades (aos poucos, sim, vamos sabendo um bocadinho sobre cada um desses adulto e alguns ganham nomes próprios). Um pouco como desenhos animados em que não conseguimos ver os rostos dos adultos, somente suas pernas (desenhos que levam em conta a perspectiva infantil).

Desenhos animados que mostram o ponto de vista infantil: os adultos são apenas corpos – geralmente, nem nome têm: são apenas “pai”, “mãe”, etc.

Neste mundo apresentado por Pullman, a Igreja é a instituição máxima (não fica claro qual Igreja, mas parece uma mistura de catolicismo com protestantismo: cita-se João Calvino, a Inglaterra já era oficialmente anglicana à época da escrita do livro, mas também a estrutura eclesiástica se parece muito com a da Igreja católica em certos momentos de sua história) que controla a vida de todos através de seus tentáculos, órgãos descentralizados com nomes um tanto quanto misteriosos como Magisterium, Colegiado dos Bispos, Tribunal Consistorial de Disciplina, Conselho de Oblação. Esses órgãos nem sempre são unidos; aliás, muitas vezes eram mesmo rivais. A faculdade Jordan, lar inicial de Lyra, é a instituição de maior autoridade em estudos teológicos experimentais (algo como física) – e, portanto, possui enorme poder político e prestígio num mundo comandado pela Igreja. Muitos estudos ali financiados e conduzidos são considerados de alta importância e, não raro, são secretos.

A narrativa ocorre em terceira pessoa (ou seja, o narrador é onisciente). Tal escolha do autor permite que o leitor transite entre núcleos da história e acumule informações diversas, as quais nem sempre todos os personagens têm acesso. Por exemplo, ora estamos vendo Lyra conversando com as crianças pelas ruas de Oxford; ora vemos uma conversa entre o Reitor e o Bibliotecário – conversa esta que outros personagens não ouvem, e nos dá ideia da história total.

Não conseguimos distinguir o tempo em que se passa a história, já que se passa em um universo paralelo; parece uma mistura passado e futuro. Explico: existem diversas tecnologias (instrumentos sofisticados) que se misturam com elementos como lamparinas e velas para iluminação, prédios de pedra, zepelins e tinas de madeira para tomar banho.

Após explicar todo esse contexto, podemos falar do enredo: Lyra presencia reuniões proibidas para ela (entre Catedráticos e seu tio), o que lhe abre os olhos a respeito de diversas coisas no mundo adulto: expedições para o Norte, a cabeça decepada de um explorador que investigava assuntos considerados perigosos, uma substância chamada Pó e evidências de cidades invisíveis.

Lyra e Pan escondendo-se no armário numa das primeiras cenas do livro. É aí que eles tomam contato com parte da verdade do “mundo adulto”.

Repentinamente, crianças – geralmente pobres e negligenciadas por suas famílias – começam a desaparecer da vizinhança. O boato é de que alguém as está sequestrando, e essas pessoas são apelidadas de Papões. Sabemos que (isso não é um spoiler, ok?) quem sequestra as crianças é uma jovem muito atraente, perfumada e irresistivelmente sedutora, que tem por daemon um macaco de pelagem dourada. Sua suavidade, carisma e (aparente) bondade “enfeitiça” as crianças a seguirem-na e a se conformarem à situação de prisioneiras. É neste momento que Roger, o grande amigo de Lyra, some da mesma maneira que outras crianças.

Lyra toma como missão encontrar seu amigo Roger de qualquer maneira, enquanto diversas coisas acontecem com ela. Nesse meio-tempo, o Reitor entrega à garota um instrumento chamado aletômetro, que é a tal bússola dourada, com a incumbência de descobrir o que é, como funciona e de manter o objeto protegido. É na realidade um objeto que mostra respostas, caso seu portador saiba fazer as perguntas corretas e interpretar seus simbolismos.

O aletômetro

Com a ajuda do aletômetro e de diversos aliados inusitados (gípcios, bruxas, um urso de armadura, um aeróstata), Lyra vai atrás de Roger, ao mesmo tempo em que tem que fugir de diversos perigos e descobre cada vez mais peças do quebra-cabeça.

(O final do livro é bem interessante! 🙂 )

Ah! Fiz um teste em um site (em inglês) para ver qual seria o meu daemon (são vááárias perguntas!), vou deixar no final do post.

 

+ info:
A bússola dourada / Philip Pullman.
– Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
417 páginas.

 

Volume 2: A faca sutil

*ATENÇÃO: a partir daqui, com certeza haverá spoilers em relação ao primeiro livro.

Em A faca sutil, Lyra atravessou a fronteira que existe entre dois mundos, e descobre um terceiro (o nosso). Cada mundo tem suas especificidades (como os daemons, no de Lyra; os carros, no nosso; ou os Espectros, no mundo em que Lyra inicia o livro), mas pode haver trânsito de um para o outro (embora não saibamos tudo a respeito disso)

Juntamente com um amigo, chamado Will (proveniente da Oxford que conhecemos, da Inglaterra do nosso mundo), Lyra agora está em busca de mais respostas sobre o Pó, os universos paralelos e também em busca de pessoas: Lorde Asriel, Dr. Stanislaus Grumman (o explorador cuja cabeça aparece decepada no primeiro livro!), John Parry (pai de Will). Com a ajuda do aletômetro, da faca sutil, outro objeto com propriedades importantes para a história, e de antigos e novos amigos, Lyra enfrenta mais uma série de desafios.

Lyra e Will

Portal entre dois mundos

É uma narrativa muito viva o tempo todo, dificilmente ficamos entediados. Tive a impressão de que neste segundo volume os capítulos são maiores.

+ info:
A faca sutil / Philip Pullman.
– Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
370 páginas.

 

Volume 3: A luneta âmbar

*ATENÇÃO: a partir daqui, com certeza haverá spoilers em relação ao primeiro e ao segundo livros.

O maior dos três volumes, A luneta âmbar vai ainda mais fundo nos temas que permeiam a série toda: o Pó, os diferentes mundos, a Igreja.

Agora, haverá uma grande guerra (a maior de todas), envolvendo todas os seres conscientes de todos os mundos (já que os portais de um para o outro podem ser abertos): pessoas, pessoas com daemons, anjos, bruxas, ursos de armadura, galivespianos, fantasmas, Espectros. É claro que Lyra terá papel fundamental nessa guerra; ela será o elemento definidor. Os lados que batalharão serão basicamente o lado da Autoridade (Deus) e a Igreja, os quais defendem que é importante que as populações mantenham-se submissas e obedientes; e do outro lado, aqueles seres (humanos, anjos, bruxas, etc.) que acreditam que o livre-pensamento é mais importante que a fé absoluta.

Aqui, teremos Lyra e Will o tempo todo transitando entre mundos – dos mais familiares aos mais diferentes: o mundo dos mortos, o mundo dos mulefas, e seus próprios mundos também. De uma imaginação fascinante.

As temidas harpias, no mundo dos mortos

+ info:
A luneta âmbar / Philip Pullman.
– Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
572 páginas.

 

O que achei da série:

É um texto bastante ágil, rápido de ser lido. O tempo todo acontecem coisas, a história realmente não fica entediante. Um elemento formal que certamente colabora com isso é o discurso direto: a utilização de travessões para construir diálogos torna a narrativa mais dinâmica.

Lyra é uma personagem muito interessante,  e não podemos nos esquecer que, como protagonista da trama, é uma heroína, e cumpre seu papel como tal (para ser um herói, em quase qualquer história, existe um roteiro – “a jornada do heroi”, descrita por Joseph Campbell -, e Lyra se encaixa muito bem nisso). Ela é corajosa, curiosa e muito fiel; conta com a ajuda de elementos importantes (objetos como o aletômetro, por exemplo, ou personagens como o urso Iorek Byrnison, o menino Will, a bruxa Serafina Pekkala), mas no final das contas, quem tem que resolver mesmo é ela.

A trilogia certamente conta sobre a transição da vida infantil para a vida adulta, a saudade da infância mais simples e cheia de brincadeiras para a “adultez” complexa e lotada de responsabilidades e inseguranças. Percebemos a oscilação de Lyra entre a imaginação e confiança infantis e as desilusões adultas. Ou, como contam na história, a transição da inocência para a experiência faz toda a diferença.

É interessantíssima a crítica feita à Igreja da história como instituição, que impõe comportamentos, proíbe avanços em nome de uma moral questionável e age com violência contra quem discorda. Inclusive, essa trilogia já foi apontada como uma resposta às Crônicas de Nárnia, do autor C. S. Lewis, obra que já foi criticada por Pullman como sendo propaganda religiosa, além de sexista e racista (segundo a Wikipedia). Nesse sentido, Fronteiras do universo é uma clara crítica à Igreja como instituição que atravanca avanços científicos e pensamentos questionadores.

Tentei ler a trilogia quando era mais nova, mas parei na metade do primeiro livro; desta vez, fui até o final. E devo dizer que, quanto mais avancei nos volumes, mais gostei da história: aos poucos tudo vai se encaixando, e tudo que parecia “solto” no primeiro livro tem um porquê nos demais, e assim por diante. Não costumo gostar tanto de tramas que misturam criaturas (vampiros, lobisomens, bruxas, etc. etc. etc.) – A EXCEÇÃO É HARRY POTTER, OK?! -, mas este o faz de maneira extremamente bem encaixada, de modo que nem é possível criticar. Cada ser tem seu papel na história, nenhum deles está ali por acaso.

De maneira geral, achei um livro muito bom, com uma proposta rica e diferente; não é uma história infantil, mas também não é literatura adulta.

Se você se interessou pelas sinopses que fiz anteriormente, provavelmente vai adorar os livros! Se gosta de livros de fantasia, estes são altamente recomendáveis!

classificação:  4 estrelas

grau de dificuldade de leitura: FACIL
(Esta, sim, é uma obra recomendada para público infanto-juvenil e jovem adulto)

A bússola de ouro, filme, 2007

http://calibrecultural.files.wordpress.com/2012/01/bdo-capa2.jpg

Lançado em 2007, o filme A bússola de ouro não foi um sucesso de bilheteria, e as críticas foram bem divididas. Acredito que seja por isso que não haja continuação.

Eu o assisti na época (e detestei, aliás), e assisti recentemente, depois de ler o livro. Devo dizer que agora entendi bem melhor a história (obviamente), e por isso, achei o filme melhor do que da primeira vez que o vi. Os personagens estão bastante fiéis às descrições do livro (Lyra é mesmo bem parecida), apesar de detalhes como a cor do cabelo da srta. Coulter serem diferentes, sua essência foi mantida (suas maneiras doces e suaves, o maldito macaco de pelagem dourada).

Três coisas me incomodaram bastante: a primeira é a ausência da menção da Igreja. Fala-se apenas em Magisterium, que é um dos órgãos da Igreja do mundo de Lyra, não deixando explícita qual é a instituição criticada. Isso claramente deve ter sido feito para não irritar os ânimos de pessoas religiosas e conseguir uma boa bilheteria, o que não foi atingido. Parece que teve gente da Igreja católica que se sentiu ofendida mesmo assim. Sendo esse um dos aspectos essenciais do livro, o filme deixou a desejar nesse sentido. A segunda coisa que não me agradou foi que mudaram bastante a ordem de alguns acontecimentos. Inclusive, uma das coisas mais legais do primeiro livro (Lyra e as crianças em Bolvangar, à mercê das experiências realizadas pelo Conselho de Oblação) quase não aconteceu no filme! E a terceira foi, é claro, o final. O primeiro livro termina de maneira estarrecedora, e o filme acaba antes disso (era possível completar a história com o acréscimo de apenas duas cenas, e considerando que o filme tem menos de 2 horas de duração, achei um ultraje não colocarem o final da história).

Relevando essas considerações, os efeitos especiais são muito bem feitos (se você está lendo isso em 2050, ignore este comentário, porque você deve achá-los ridículos), e mesmo tendo muita gente criticando as atuações, eu achei que foram bem satisfatórias. Lembrando sempre que o público recomendado para esse filme é mais infanto-juvenil, é um filme de fantasia e aventura. O trailer do filme está linkado logo abaixo, no + info. Vale a pena ver porque dá um resumo da história e uma ideia do filme.

Entre o filme e os livros, com certeza, leia os livros – até porque o filme não tem final e nem continuação.

+ info:
A bússola de ouro / Direção: Chris Weitz.
– Estados Unidos e Reino Unido, 2007.
Fantasia, aventura, ficção.
1h53min.
Trailer (legendado)

classificação: 3 estrelas

UFA! Você sobreviveu até aqui!!! Obrigada pela leitura!
Ficarei muito feliz se você deixar um comentário!
(Para fazer isso, é necessário clicar em “comentários”, um pouco abaixo do título do post. E não se esqueça de logar antes de escrever o comentário, para que ele não seja perdido.)

Se gostou da resenha, compartilhe com seus amigos!

Meu daemon

Your result for The Golden Compass Daemon Test…
Open Sensitive Soul

You are an open, emotional person and very sensitive to the things going on around you. You are empathetic and make an excellent listener, but you also like to share your thoughts, feelings, and opinions with the world. You are not particularly extroverted, preferring time at home with a group of friends than a busy and stressful night out among strangers and acquaintances.

You wear your heart on your sleeve, and probably become upset when someone tries to give you constructive criticism. Your loved ones tend to accidentally hurt your feelings with their insensitive, off-hand remarks, and then accuse you of being too sensitive.

You are open and honest, and you do not do well at hiding your feelings, even when you try. You prefer to get things out in the open and resolve them, rather than leaving them to fester. Other people might sometimes frustrate you by hiding their feelings, shrugging and saying “oh well” instead of standing up for themselves, like you try to do.

Your daemon’s form would represent highly sensitive nature, your frank honesty, and your devotion to friends and family. He or she would stick close to you and whisper comfort and advice in your ear most of the time. When you or your loved ones needed defending, however, he or she would become as openly vocal as you, and help you in your protestations.

Suggested forms:
Songbird, Dove, Swan, Domestic cat, Border Collie.

Take The Golden Compass Daemon Test at HelloQuizzy

Anúncios
Padrão

12 comentários sobre “Trilogia Fronteiras do Universo

  1. EEEE gostei mto…Deu até vontade de ler de novo 🙂
    A comparação que vc fez de livro x filme é exatamente o que eu penso tb.
    Única coisa que eu achei meio estranha: “nasceu em 67 e continua vivo até hoje…” – poxa são só 47 anos! Meus pais são bem mais velhos que isso 😛

  2. Tatiana disse:

    Naná, adorei a resenha! Quanto a sua análise está muito completa como sempre: fala do tipo de discurso, do contexto, das personagens, do paralelo com nossa sociedade e da história em si. É muito legal ver por outros ângulos.
    Me lembro que tentei ler quando era mais nova (antes dos 14, então já faz 10 anos) e não foi fácil começar (comecei umas tre^s vezes até engatar. Tanto que a primeira cena da Lyra escondida no armário com o pantaleamon é muito clara pra mim até hoje). Para mim é um dos livros que define minha religião até hoje. Mostra que existe diversidade no mundo(s), que é preciso muito respeito a todos e tudo que vc conhece e não conhece, que igreja é coisa criada pelo homem e religião é algo pessoal e individual e muito ligado à natureza. Difícil tirar tudo isso, mas assim como a Lyra não sabia nada e ia descobrindo eu ia tb. A parte da família dela (complexa e imperfeita) também me ensinou bastante. Aquelas criaturas do terceiro mundo eu amava! Parece a Austrália. ahhahahahah

    • Tatazinha, achei muito legal a sua percepção, bem espiritual!!! 😀
      Também tenho a imagem inicial de Lyra no guarda-roupa, na reunião dos Catedráticos da Jordan, muito clara na minha cabeça, e pelo mesmo motivo: comecei o livro mais de uma vez, então ficou bem gravado na minha memória. Aliás, o primeiro acho que é o que mais fica na cabeça, porque no segundo e no terceiro, a história já fica mais dispersa (acontecem mais coisas!).
      Essas criaturas são muito legais, os mulefas!!! hihihihi Mulefas e suas rodas de nozes, e sua sabedoria!

  3. Demorei mas comentei!!!!!

    Essa resenha, maravilhosamente escrita aliás, me deixou morrendo de vontade de ler novamente. O livro trata de assuntos importantes e polêmicos de uma maneira simbólica, mas de fácil associação. É possível nos imaginarmos no mundo com daemons, e até chutarmos o tipo de daemon que teríamos. Esse livros que nos envolvem são sempre muito bons!
    Essa trilogia é uma das minhas preferidas!!! (claro perdendo pra cronicas de gelo e fogo, harry potter e senhor dos aneis) Eu teria o maior prazer em ler novamente. Vou tentar dar de presente pra minha irmã. ela vai gostar!

    Nati, como sempre extremamente bem escrito!! Fiel sem dar muitos spoilers. Eu mesma fiquei curiosa com o final dos livros!! Eu não lembro direito… Só lembro que gostei do mundo dos mortos… e da guerra… e dos anjos… só não lembro direito o pq…

    Super beijo toka e desculpa a demora em comentar 😉 Só entrei no notebook hoje

  4. Itzinhaaaaaaaaa, achei que vc tinha esquecido!!!!!!!! ❤
    Que bom que veio comentar, amei! Com certeza a parte dos anjos e tal é a sua cara! É uma trilogia que vale a pena reler sim; apesar de ter uma pegada infanto-juvenil, ela tem muitos detalhes, e também coisas que só adultos entendem direitinho.
    Que tipo de daemon vc acha que seria o seu? Um pássaro, não? O meu, tenho que pensar… acho que seria terrestre!

    • Oiii Karolaine! Não sei se te consola, mas eu também não tenho essas edições das imagens do post… 😦 Acabei comprando a única que estava disponível mesmo, acho que as outras estão esgotadas, infelizmente. Vc já deu uma olhada na Estante Virtual?

      • José Augusto disse:

        Li o 1° e o 2° livro numa sequência, só que parei, agora tô lendo o terceiro e só lembro até mais ou menos até a metade do livro, quero saber pq o amigo de Lyra morre, o que tem o dimon como um Coelho, lembro que ele mata muitos soldados, mas não lembro pq ele tá fazendo isso. Quero saber sobre Stalinus Gruman, lembro que ele não morreu e tava em uma tribo, nem Sr quer lembro quem o encontrou, isso também quero saber. O pai de Will, John Parry, quem é? E logicamente o final do livro.

        • Nossa, Augusto! São detalhes que não me lembro exatamente… a primeira metade do primeiro livro é o que lembro mais, pois acabei lendo diversas vezes, e tudo o que vc perguntou está da metade pra frente. E na resenha, não posso colocar spoilers, por isso essas informações não estão no texto…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s