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O abrigo de pedra + comentário sobre A terra das cavernas pintadas

O abrigo de pedra, de J. M. Auel

*ATENÇÃO: esta resenha pode conter spoilers.

O abrigo de pedra é um livro que faz parte da coleção chamada Os filhos da Terra, sendo os volumes:

           

Volume 1: Ayla: a filha das cavernas
Volume 2: O vale dos cavalos
Volume 3: Os caçadores de mamute
Volume 4: Planície de passagem
Volume 5: O abrigo de pedra

Parece que existe também um sexto volume, publicado recentemente (2011) nos EUA, mas ainda sem edição brasileira ou tradução para o português, chamado The land of painted caves.

A narrativa dessa coleção passa-se no período pré-histórico na Europa. Os primeiros livros já li há alguns anos, mas tentarei fazer um apanhado da história e minhas impressões sobre o que me lembro!

Uma menina chamada Ayla, cro-magnon, perde sua “tribo” num terremoto, mas ela se salva. Um grupo de neandertais a encontra e ela é adotada por uma deles. Nesse primeiro volume, na minha opinião o mais interessante e diferente deles, vemos a vida de Ayla, humana, entre os neandertais (que também são humanos – com isso, quero dizer do gênero Homo -, mas com uma cultura tão diferente que os cro-magnon os consideram animais, macacos).

Desenho comparativo entre Neandertal e Cro Magnon

Ali, ela sofre discriminação por ser diferente. Isso acontece pois, no enredo, a cultura (e a biologia) neandertal está calcada na tradição, na conservação de costumes, e Ayla simboliza justamente a quebra, a renovação de tais costumes. Ela é física e mentalmente diferente. Os neandertais, mais baixos e fortes (troncudos), peludos, de ossos muito sólidos e cabeças grandes, consideram Ayla frágil e feia.

Eles também tinham uma linguagem própria, uma comunicação sutil baseada em gestos e sons guturais, que Ayla aprende aos poucos. Enquanto os membros do clã possuem uma “memória ancestral” bastante eficiente (ou seja, seu cérebro recorda informações de gerações anteriores), Ayla (representante dos humanos mais próximos de nós, os cro-magnon) apresenta grande capacidade de adaptação, inovação (o que obviamente desagrada a muitos membros do clã, mais conservadores). Ela quebra regras e desafia inconscientemente as tradições desse grupo. Começa a aprender a manejar armas (coisa que não é permitida para mulheres), questiona algumas regras estabelecidas, aprende a ser curandeira com sua mãe (a qual já vinha de uma longa linhagem de curandeiras, pois conhecia as ervas e plantas “de memória”, coisa que Ayla não tinha e precisou aprender). Aliás, é isso que a autora usa para justificar a extinção dos neandertais e a permanência dos cro-magnon na Terra: a capacidade de ser criativo e adaptar-se a condições diferentes e até adversas, o que, de acordo com o livro, os neandertais tinham dificuldade em fazer. Enfim, por conta de todos esses desafios (SPOILER A SEGUIR!!!!! Mas preciso contar, senão, não posso comentar os outros volumes), Ayla é expulsa do clã e tem que se virar sozinha a partir de então (fim do volume 1).

No volume 2, O vale dos cavalos, Ayla já é adolescente (tem cerca de 14 anos, embora já fosse mãe de um mestiço de cro-magnon com neandertal, o qual ficou no clã), e tem que sobreviver sem ajuda de uma família ou tribo (lembrando que na Pré-História não era tão fácil encontrar seres humanos vagando por qualquer canto do planeta, como é hoje). Após muito andar, ela encontra um lindo vale cheio de cavalos selvagens, e vive ali por alguns anos, sobrevivendo principalmente de suas habilidades de caçadora. Sentindo-se extremamente solitária, Ayla acaba aproximando-se de alguns animais, em especial uma égua (para quem ela dá o nome de Huiin) e um filhote de leão (Neném), os quais ela cria e domestica – algo impensável na época. Até que, em certo ponto do livro, ela finalmente encontra um homem de cro-magnon como ela (Ayla não tinha contato com pessoas semelhantes a ela há mais de uma década e tinha desaprendido a falar com palavras). É a partir daí que ela começa a se socializar (reaprender a falar) e, obviamente, esse homem (Jondalar) torna-se seu parceiro. Os dois ficam muito apaixonados e o livro descreve várias passagens sexuais – na minha opinião, por serem muitas, faz com que o livro fique meio sem graça.

No terceiro, Os caçadores de mamutes, Ayla e Jondalar partem do Vale dos Cavalos, levando consigo Huiin, e encontram a tribo dos Mamutoi, os caçadores de mamutes. Ficam hospedados com eles por um longo tempo, onde novamente ela enfrenta desafios de não ser tão bem aceita (inclusive tenta não revelar seu passado com os neandertais, pois isso geraria nojo por parte dos cro-magnon), mas aprende a língua, e inclusive é adotada por uma das “fogueiras” (famílias). Neste livro, há um pequeno triângulo amoroso, Ayla fica dividida entre dois homens.

Em Planície de passagem, quarto volume da série, Ayla e Jondalar partem em busca da terra natal de Jondalar e de sua tribo, os Zelandonii (ele havia partido numa viagem com seu irmão, e nesse meio caminho encontrou Ayla). Porém, é uma terra distante, e eles passam por grandes provações, perigos e aventuras. O casal não viaja sozinho, é sempre acompanhado por Huiin e seu filho Racer (o qual passou a ser domesticado por Jondalar), e também um filhote de Lobo (chamado… Lobo!).

O abrigo de pedra é o livro que li mais recentemente. Conta justamente a chegada de Ayla, Jondalar e os animais à tribo dos Zelandonii, onde Ayla tem de, mais uma vez, adaptar-se e onde ela, mais uma vez, mostra-se absolutamente encantadora.

O estilo de narrar da autora é bastante descritivo, mas não sempre entediante, o que acaba por desenhar cenários e personagens de maneira muito clara em nossa mente.

De toda a coleção, o volume de que mais gostei foi o primeiro (lembrando que não li o sexto), porque conta algo realmente curioso: uma mistura de espécies e, principalmente, choques culturais, problemas sociais, etc. Nos outros livros, ficam mais evidentes as inseguranças e ações da protagonista (o que é esperado, mas parece que a narrativa perde um pouco do ritmo e do apelo).

Gosto que a protagonista seja feminina, e ela é uma mulher forte, inteligente, esperta, etc. Nesse sentido, é um pouco diferente das personagens femininas que vemos com mais frequência em livros e filmes em geral, pois seus objetivos tendem a ser, quase sempre, amorosos (ou seja, “encontrar um príncipe encantado”, casar-se e ter filhos, viver um grande amor ou algo do tipo). Não que isso seja condenável (muita gente quer isso), mas é um roteiro tão recorrente (como se toda mulher quisesse APENAS isso) que cansa. É justamente o seu não-foco em algum homem o que torna a personagem interessante.

Porém, sinto-lhes informar que, a partir do terceiro livro mais ou menos, o destaque dado à relação amorosa entre Ayla e Jondalar passa a ser muito maior. Ainda há bastantes descrições e aventuras, mas a história principal é o amor e a confiança que os dois desenvolvem entre si.

Os méritos da personagem Ayla são o fato de ela ser muito inteligente, adaptável, esperta, forte, corajosa, criativa. Por outro lado, os pontos fracos dela são: ser inocente demais, honesta demais. Isso são qualidades disfarçadas de defeitos! Isso me faz lembrar de quando, em entrevistas de emprego, perguntam ao candidato “Qual é seu maior defeito?”, ao que ele responde “Ser perfeccionista demais”. É uma resposta disfarçada. Tem horas em que ela aparece como forte demais, inteligente demais, esperta demais. Ou seja, ela transparece um quê de heroísmo, de divindade até (vários neandertais e cro-magon se assombram com suas infinitas habilidades: agilidade no manejamento de armas, capacidade de atrair e controlar animais selvagens, conhecimento medicinal profundo, honestidade cândida, entre muitas outras). Por não ser um livro com a intenção de ter uma super-heroína, achei que a autora exagerou nas qualidades de Ayla (além de tudo, a personagem é humilde, pois sempre acha que suas habilidades são algo normal, que qualquer um pode aprender). Separei um trecho para exemplificar um pouco:

“Que tipo de poder ela [Ayla] possuía?, especulou [Kimeran]. Seria ela uma Zelandonii [curandeira com poderes quase divinos]? Ele era particularmente ciente da zelandonia e suas incomparáveis habilidades. Ela falava num claro e compreensível Zelandonii [idioma], mas o seu modo de se expressar era estranho. Não era exatamente um sotaque, supôs. Ela quase parecia engolir alguns sons. Não era desagradável, mas fazia com que se prestasse atenção nela… não que, de qualquer modo, não se fizesse isso. Ela tinha uma aparência estrangeira, sabia-se que ela era estrangeira, uma bela exótica estrangeira, porém, e o lobo era uma parte disso. Como ela controlava o lobo? O olhar dele era de admiração, quase de espanto.” (p. 208)

Neste trecho, Ayla acabara de ser apresentada a esse personagem (Kimeran), o qual se espantou com algumas coisas a seu respeito. Primeiro, com suas grandes habilidades. Segundo, com sua pronúncia – que, ao invés de ser engraçada, esquisita, ou algo do tipo, é “não era desagradável”, e chamava ainda mais atenção para ela. Ou seja, uma característica que seria provavelmente um ponto negativo para pessoas comuns (estar falando uma língua estrangeira, ter um sotaque), para os que conhecem Ayla é algo interessante e instigador. Terceiro, além de tudo, ela é muito bela (nesse trecho, nem se destaca tanto essa característica, mas no livro, é bem ressaltada) – o que bastaria para que ela fosse notada. Me incomoda um pouco essa ênfase na aparência física de Ayla (e de Jondalar também), alta, magra porém com músculos bem torneados, com uma longa cabeleira loira e olhos azuis. É como se, independentemente de suas habilidades e intelecto, sua aparência já fosse o suficiente. Ela já seria boa o bastante apenas por suas características físicas. Isso, sem contar o padrão europeu-loiro-de-olhos-azuis, mas como vários personagens possuem características parecidas, vou assumir que são traços típicos de algum povo.

Ayla no filme de 1986, The clan of the cave bear. Linda, sim. Mas e daí?

Ayla é, para mim, uma pessoa inverossímil (“falsa”), portanto, pois parece não apresentar falhas. Mesmo seus defeitos são qualidades e isso é extremamente irritante. Considero importante na literatura que tenhamos personagens complexos, com algumas características positivas e outras negativas, para retratar o ser humano como o ser profundo que é e causar identificação com os leitores, pobres mortais. Jondalar, por exemplo, é ciumento. Não é o pior dos defeitos, mas pelo menos é um.

Então ao mesmo tempo em que é uma obra interessante por retratar uma mulher forte e independente, também retrata uma mulher “impossível”, porque perfeita. Ayla é, ao mesmo tempo, engenheira, cozinheira, caçadora, médica, enfermeira, esportista, bióloga, filósofa, treinadora de animais, veterinária, sacerdotisa, costureira.

A conclusão que tiro desta obra (e aqui me refiro a toda a coleção Filhos da terra), é que é bastante ambígua. Tem vários méritos, como explorar de forma inovadora uma trama pré-histórica, ter uma protagonista mulher que é inteligente e independente, e ser uma série de entretenimento (realmente queremos saber o que acontece na história e é uma saga divertida). Achei os livros bem escritos, e fica óbvio que há muita pesquisa por trás. O lado negativo é que reforça alguns estereótipos (femininos e europeus) e tenta resumir em um ou dois personagens grande parte da evolução dos Cro-magnon e de habilidades essenciais para a sobrevivência, que em geral seriam encontradas em um grupo maior de pessoas, separadamente (preocupação com higiene pessoal, capacidade de domesticar animais, de fabricar armas e objetos de pedra, de cozinhar bem, de falar diversos idiomas, a utilização de ervas medicinais com maestria, a confecção de roupas e costura, o manejo de armas, e isso é só o que me veio à mente agora). Isso faz com que os personagens fiquem “forçados” e chatos, por quase não apresentarem defeitos.

Ayla me parece contemporânea demais de nós, seres do século XXI, o que me deixa com um pé atrás em relação ao anacronismo da trama (como qualquer historiador que se preze). [Anacronismo é quando usamos os nossos conceitos e pontos de vista e os transferimos para outra época, em que esses conceitos não existiam. Por exemplo, a questão da higiene pessoal penso que seja uma coisa muito atual, do século XIX para cá, mas Ayla toma banho praticamente todos os dias, escova seus cabelos com uma planta-sabão, se lava sempre que faz sexo]. Não sou especialista em pré-história, por isso não posso julgar o grau de veracidade dos livros, mas é um pouco assustador pensar que evoluímos muitíssimo em termos de tecnologia, mas não tanto assim quando se trata de crenças, hábitos e comportamentos.

Recomendo a saga para quem quer ler alguma coisa simplesmente para entretenimento. O conhecimento histórico aí contido é um pouco questionável, como em qualquer obra de ficção, especialmente se tratando de um período tão remoto como a pré-história, mas é inegável que a autora teve um grande suporte de pesquisa para a escrita da obra.

O final do volume 5 (“O abrigo de pedra”) me deixou curiosa para o sexto e último, a ser lançado no Brasil em breve. Já que comecei a série (e fui tão longe), quero terminá-la.

OBS.: Espero não ter sido muito dura com a saga. Gostei de lê-la, apesar de tudo. É que aos poucos, foi ficando repetitivo, e a Ayla-perfeita começou a me irritar, mas é uma coleção divertida.

OBS.2: Existe um filme de 1986 chamado The Clan of the cave Bear, que é o título original em inglês do primeiro volume da série (Ayla, a filha das cavernas). Se você pretende ler e também ver o filme, priorize a leitura. Apesar de relativamente fiel ao livro, nunca é a mesma coisa. Além do mais, a imaginação é sempre mais poderosa que a mera visão – é claro que devemos levar em conta que não deve ser nada fácil fazer um filme com personagens neandertais. É óbvio que é cheio de falhas técnicas, alguns pontos diferentes do livro, e, é claro, tem o toque trash dos anos 80. Enfim, o filme está disponível completo no youtube com legendas em inglês, mas não há muitos diálogos, já que o Clã se comunica mais por mímica. Clique aqui para vê-lo.

+ info:
O abrigo de pedra / Jean M. Auel; tradução de Domingos Demasi.
– Rio de Janeiro: BestBolso, 2013.
(Os filhos da terra; 5)
799 páginas.

classificação: 3 estrelas
(3 estrelas para este quinto volume, 4 para a saga toda)
(Reservarei a classificação de 5 estrelas somente para livros que considere excepcionais.)

grau de dificuldade:  DIFICIL

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Obrigada pelos comentários que vocês deixarem! 🙂

—————————————–

Atualização de 19/05/2014

Comentário sobre A terra das cavernas pintadas, de J. M. Auel

Terminei hoje de ler o último volume da saga Filhos da Terra, de J. M. Auel.

Não sei se estou mais sentimental (isso acontece quando estou acabando um livro, que dirá uma série inteira com seis livros-tijolo!), mas até que gostei desse último. Sabem como é, acabei me apegando aos personagens, principalmente Ayla (mesmo com seu defeito de não ter defeitos – aliás, descobri um: ela não sabe cantar).

Neste “episódio” da saga (Cuidado! SPOILER!), Ayla é treinada para se tornar Zelandoni, uma espécie de curandeira/sacerdotisa de seu povo. Como parte de seus estudos, tem de passar por diversos aprendizados, como matemática, observação astronômica, e realizar uma viagem em visita a cavernas pintadas por ancestrais (cheias de arte rupestre, considerada sagrada). Apesar de algumas partes monótonas (as descrições das cavernas com suas pinturas são exaustivas!), é uma jornada interessante.

Mas o que mais gostei do livro foi seu final. Há uma pequena reviravolta, um pouco de suspense… e o fim, que sempre deixa saudades (sério, eu sinto saudades até dos livros mais bobos / chatos). É difícil dar adeus a Ayla, mas já é hora. Partir para outras leituras!

Essa é uma saga muito bonita (e às vezes irritante!),e sinto que aumentou meu conhecimento em relação ao Paleolítico, o período mais longo da história da humanidade, e provavelmente o menos estudado. A pesquisa da autora sobre o período é muito bem feita e aprofundada; no final, em seus agradecimentos, cita algumas de suas fontes.

Saga recomendada para quem tem bastante paciência e perseverança! 🙂

+ info:
A terra das cavernas pintadas / Jean M. Auel; tradução de Paulo Cezar Castanheira.
– Rio de Janeiro: Record, 2014.
(Os filhos da terra; 6)
671páginas.

classificação: 3 estrelas
grau de dificuldade:
  MEDIO

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11 comentários sobre “O abrigo de pedra + comentário sobre A terra das cavernas pintadas

  1. Nossa, Nati, até que vc se lembra de bastante coisa dos primeiros volumes! Eu só li até o 2º e já comecei a enjoar da Ayla-perfeita-faz-tudo tb…Aliás, foi ficando cansativo ela com o Jondalar, e isso me desanimou para ler o 3º e continuar até concluir a saga. Mas agora que me foram doados, vão entrar na minha lista de leitura pelo fator curiosidade 🙂

  2. isabela disse:

    Resenha muito engraçada!!!! Muito pareido com oralidade =))))
    Ayla é um livro mt bom, e uma pena ficar tão repetitivo… tinha muito potencial, infelizmente, na minha opinião, desperdiçado…
    Adorei como ela é formada, garuada e phD em todas as profissões possíveis! huahuahuahua Defeitos? perfeccionista demais!!! como td mundo diz em entrevistas de emprego realmente…
    Muito bem escrito Nati =D

  3. Rapaz…

    Achei o tema geral interessante. Mas bateu uma preguiça de ler a coleção toda sabendo agora que eu vou me irritar no meio!

    Quando fizeram uma versão “resumo pra vestibular”, quem sabe. Hahaha Até lá, foi pro final da fila. =)

  4. A resenha ficou muito boa!
    Parecia uma conversa mesmo.
    Nao li o livro, mas me lembrou Iracema ou Clarissa(e?), perfeitas demais e irritantes.
    Gostei da ideia de no comeco a autora inverter os esteriotipos, mas pena que depois voltou a idolatras o europeu.
    beijs da TATI (via computador da Mylene)

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