2014, Companhia das Letras, Sem categoria

Vejam que coincidência! Lendo o livro Eu sou Malala, o segundo que resenhei para o blog, encontrei um comentário dela sobre Os versos satânicos [Salman Rushdie], o primeiro livro que resenhei aqui! Lembrando que Malala nasceu no Paquistão, um país de grande maioria muçulmana, e Os Versos trazem uma versão da história de Maomé (Mahound), profeta do islamismo. Como já foi comentado no post Os versos satânicos, para os muçulmanos radicais, o Profeta não deve ser retratado, o que fez com que Rushdie fosse bastante perseguido (ele inclusive recebeu uma sentença de morte proclamada pelo aiatolá Khomeini do Irã). Aí vai o trecho que fala sobre o livro:

“Um dos debates mais acalorados naquele primeiro ano foi sobre um romance, Os versos satânicos, escrito por Salman Rushdie, que alguns consideraram uma paródia do Profeta passada em Bombaim. Os muçulmanos consideraram o livro blasfemo, e ele provocou tanta indignação que, parecia, ninguém falava em outra coisa. O curioso foi que, no início, ninguém deu atenção à publicação – na verdade, o livro nem sequer estava à venda no Paquistão. Mas então um mulá próximo do serviço de inteligência escreveu uma série de artigos para os jornais em urdo, classificando o romance como ofensivo ao Profeta e dizendo que os bons muçulmanos tinham o dever de protestar contra ele. Logo os mulás de todo o país denunciaram o livro, pedindo seu banimento. Demonstrações furiosas foram realizadas. A mais violenta delas aconteceu em Islamabad, a 12 de fevereiro de 1989, quando bandeiras americanas foram incendiadas em frente ao Centro Norte-Americano (embora Rushdie e seus editores fossem britânicos). A polícia disparou contra a multidão, e cinco pessoas foram mortas. A raiva não se espalhou apenas pelo Paquistão. Dois dias depois, o aiatolá Khomeini, líder supremo do Irã, emitiu uma fátua, ou decreto islâmico, pedindo o assassinato de Rushdie.
A faculdade onde meu pai estudava organizou uma discussão exaltada em uma sala lotada. Para alguns, o livro deveria ser banido e queimado, e a fátua precisava ser mantida. Meu pai também via o livro como ofensivo ao Islã, mas, como defensor ferrenho da liberdade de expressão, argumentou que a resposta precisava ser intelectual. ‘Primeiro, vamos ler o livro. Então, por que não responder com outro livro, nosso?’, sugeriu. ‘Será que o Islã é uma religião tão fraca que não pode tolerar que escrevam um livro que lhe seja contrário?’, vociferou no debate. ‘Não o MEU Islã!'” (pág. 54/55)

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Nota sobre Os versos satânicos

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2 comentários sobre “Nota sobre Os versos satânicos

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